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Luís Simões - um homem de L a S mas que por vezes veste XL (parte IX)

No final do primeiro mês de Erasmus em Salamanca, a minha pessoa já se tinha inteirado da realidade espanhola. Sabia qual o supermercado mais barato, que toda a gente em Salamanca é do Real Madrid, que os espanhóis são viciados na lotaria, que as lojas fecham durante a sesta e que a noite de Salamanca é tudo aquilo e mais alguma coisa do que se diz. Dizem que a primeira vez fica na memória para sempre. Meus amigos, é a mais pura das verdades. E a minha foi com duas meninas. A primeira vez que saí, entenda-se, que este é um blogue sério e não há cá espaço para essas poucas vergonhas. Essas duas pessoas, as tais que também vieram de Coimbra, rapidamente se tornaram num apoio fundamental para a minha estadia em Espanha. E assim permaneceram até ao final, ganhando um passaporte de amizade, que só peca por não ter sido passado mais cedo. Mas estava eu a falar da noite. Admito que os espanhóis gostam de festa e Salamanca dá-lhes todas as condições para isso. É uma cidade r...

Luís Simões - um homem de L a S, mas que por vezes veste XL (parte VIII)

Eu espanho, tu espanhas, ele espanha Quem me conhece, para além de poder sentir-se um privilegiado, sabe que já fui um ser mais tímido do que agora. Onde terei então perdido essa timidez que me fazia corar as bochechas só de ver uma pessoa que não os meus pais? Bom, basicamente fiz com a timidez o que as pessoas distraídas fazem com a carteira: fui perdendo aqui e ali, aos poucos e de maneiras incríveis. E a mais incrível de todas pode muito bem ter sido esta: Erasmus em Salamanca. Começou tudo com uma ideia que englobava uns dois ou três amigos num país distante, a vivenciar uma das maiores experiências das suas vidas. Mas rapidamente dos dois ou três amigos fiquei só eu e o país distante foi-se aproximando até passar a ser este mesmo, aqui ao lado. Sondei a coisa lá em casa e o “sim” parecia não querer sair, como aquele chocolate que fica encravado na máquina e não cai. Nada que uns abanões não resolvam. O argumento de que Lisboa ficava mais longe do que Salamanca resultou ...

Luís Simões - um homem de L a S, mas que por vezes veste XL (parte VII)

Recapitulando. O ser esplêndido que vos fala tinha acabado de dar um grande passo na sua vida. Estava finalmente no caminho que considerava ser certo: jornalismo. E lá fui eu no primeiro dia, subindo a avenida dos arcos, com a pasta debaixo do braço, sinal de que os tempos de caloiro já eram apenas memórias. Vi pela primeira vez as faces que me iam acompanhar nos três anos seguintes: “Olha-me aquela miúda ali, é um doce! Aquele gajo tem mesmo cara de rufia!” E nesse dia viria a cometer um erro muito, muito grande – ora toma Luís Simões que é para aprenderes – relativamente à praxe. Ora esta reconhecida besta quadrada teve o seguinte momento de insanidade: “bom. Eu já fui caloiro, já fui praxado, não preciso disto outra vez, vou passar esta fase à frente, adeus e até mais logo, que vou antes jogar um PES para casa.” Meninos e meninas que eventualmente me estejam a ler, em idade de entrar para a universidade, NÃO FAÇAM ISTO! Ou terão 20 anos de azar em que todos os dias acordarão c...

Luís Simões – um homem de L a S, mas que por vezes veste XL (parte VI)

"Informática! Está decidido!" Foi o que pensei antes de fazer a candidatura ao Ensino Superior. Se Coimbra era o destino há muito escolhido, com o curso as coisas não eram tão lineares. - Deixem-me só acabar esta barra de cereais antes de continuar, que este teclado já tem migalhas que chegue... Ora... - Engenharia Informática era bonito, soava bem e agradava aos papás. Tinha emprego garantido e eu até era capaz de me habituar a coisas do género: "Ó Sr. Engenheiro, precisamos da sua ajuda" ou então: "E agora convosco, o Engenheiro Luís Simões" ou melhor ainda, no bar à conversa com uma linda moça: "E o Sr. Engenheiro por acaso não quer ir a minha casa ver o meu laptop?" Tinha tudo para resultar, não era? Pois... mas não resultou. Logo nas primeiras aulas percebi que alguma coisa não estava bem. Aquilo não era informática. Ou melhor, aquilo ERA informática, pura e dura. Não eram pesquisas na net, não eram fóruns de pirataria, não era CTRL+...

Luís Simões – um homem de L a S, mas que por vezes veste XL (parte V)

10º, 11º e 12º. O rapaz que vos escreve pode garantir que viveu os três últimos anos no liceu como se fossem os três últimos anos no liceu. E foram, que eu não reprovei, graças a Deus. Calma, calma, que eu não sou muito dado a religiões! Deus era o nome do site onde ia buscar apontamentos que depois reduzia para papelinhos insignificantes que cabiam em qualquer manga de casaco. Nunca gostei de fazer testes no Verão... Nesta última fase do secundário, tornou-se ainda mais evidente que eu dormia melhor virado para o lado das letras, e tinha pesadelos no mundo dos números! Lá me fui safando, umas vezes com e outras vezes sem a ajuda dos professores, há que dizê-lo! E por incrível que possa parecer, a professora de quem tenho mais saudades é mesmo a de matemática! Agora reconheço que ela tinha razão em grande parte das vezes em que ralhava. "Parece impossível, Luís! Sempre os mesmos senhores!" Tenho tantas saudades de ouvir isto... Em termos de amigos, fui conhecendo mais...

Luís Simões – um homem de L a S, mas que por vezes veste XL (parte IV)

"Quero ir para casa!" Foram muitas as vezes que disse isto para os meus botões durante os primeiros dias no 5º ano. A entrada para o ciclo foi dura, muito mais do que a própria saída, algumas vezes feita por entre as grades mais afastadas daquela prisão amarela, porque o meu cartão de estudante dizia num vermelho bem vivo: IMPEDIDO, como quem diz: "ficas aí dentro até às 18h que te f.....!". A minha triste sina haveria de mudar no 6ª ano, em que lá consegui obter um brilhante CONDICIONADO PARA ALMOÇO, o que já me permitia vir ao café comprar umas gomas que me dessem cabo dos dentes. Estes dois anos passaram bem depressa! Aaaah, tenho saudades dos tempos em que jogava futebol atrás dos balneários, quase sempre à baliza por indicação dos colegas. Mas nunca vi isto como uma forma de me dizerem que não jogava patavina! Encarava antes como um voto de confiança. Afinal, um guarda-redes tem muitas responsabilidades! Também tenho saudades dos tempos de aprendizagem com ...

Luís Simões – um homem de L a S, mas que por vezes veste XL (parte III)

O terceiro capítulo desta obra é um pouco diferente dos anteriores. Nele vou falar de quatro eventos festivos que acontecem na minha vida tão bonita e singela, como dizia o famoso Zé Cabra. E faltando hoje precisamente quatro meses e dois dias para o Natal, é justo que comece por aqui. Pessoalmente, sempre gostei da época natalícia. Quando era miúdo, pelos presentes. Quando andava no liceu, pelas duas semanas de férias. Quando me casei, pelos after-shave's que a minha mulher me oferece. Esperem lá! Eu ainda não sou casado! Então mas se já não ando no secundário e ainda não pus a sagrada corda do matrimónio ao pescoço, por que motivo gosto eu do Natal neste momento? A razão é simples: no Natal, todas as pessoas me parecem... embriagadas! Reparem bem: toda a gente anda nas ruas a rir-se e a querer pagar coisas aos outros. Há pessoas que vêem velhotes de barbas brancas a descer pela chaminé e até há mais acidentes nas estradas! Depois, na manhã do dia 25, acordam todos calminhos, c...

Luís Simões – um homem de L a S, mas que por vezes veste XL (parte II)

Boa noite. Eis-me aqui de novo, a expor-me publicamente neste cantinho de que disponho na internet, desta vez para falar da querida infância. Sendo esta a parte II, vou começar por descrever a minha vida até aos dois anos de idade, através da seguinte frase: baba, ranho e algo mais nas fraldas. Foi aqui que tudo começou, qual Génesis do livro sagrado! Era eu um alegre petiz, inseparável do seu melhor amigo, um pedaço de cobertor azul, que carinhosamente chamava de pelinho. Das poucas recordações que tenho dos momentos que passámos juntos, lembro-me claramente de quando estava prestes a ir para a sala de operações (ouvidos ou nariz, não sei!), o Sr. Doutor levou-nos aos dois ao colo para o bloco. Porque os amigos, mesmo imaginários, são para as ocasiões! Prosseguindo, fui entregue aos cuidados de uma creche de freiras. Por isso, terá sido por muito pouco que passei ao lado de uma carreira no sacerdócio, e vocês terem de me tratar por Sr. Abade. A título de curiosidade, as freiras e...

Luís Simões – um homem de L a S, mas que por vezes veste XL (parte I)

Olá, sejam bem-vindos ao estaminé. Estejam à vontade, vão ao frigorífico buscar umas minis e sentem-se, que isto é capaz de demorar. Enquanto tiram os sapatos, passo a explicar: ao contrário da maioria das vezes em que escrevo, hoje vou falar exclusivamente de... mim! É verdade, olha, olha a admiração nessas caras! "Sobre mim fale quem me conhece!", frase estampada em muitas redes sociais da moda no espaço dedicado à autobiografia. Evitando clichés deste tipo, passo a apresentar-me: chamo-me Luís Simões e tenho 21 anos de idade, 3 de faculdade e 12 de mentalidade. Reparem que tudo somado, totaliza 36 anos! Daí o meu medo da crise dos 40, que está aí à porta! Pode dizer-se sem medo que sou uma pessoa singular, em três vertentes: fiscal, para efeitos de IRS; civil, pois continuo solteiro; e social, porque sou mesmo único. Aliás, o que grande parte do mundo desconhece (para além da identidade da mãe do pequeno Cristiano Ronaldo) é que há uns anos fui alvo de uma dedicatória...