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Mensagens

Plastificados

Desde cedo nos ensinam a passar as coisas a limpo. Parece haver um amor próprio em repeti-las, sem picos, sem altos e baixos, limpinhas limpinhas, como dizia o outro. A verdade é que nunca fui nessa conversa. O que os outros chamavam de rascunho eu chamava de versão final; e o que eles chamavam de versão final eu chamava de perda de tempo. À medida que fomos crescendo, o discurso foi mudando. As coisas passaram do papel para a vida real e a palavra também se alterou de “passar” para “tirar” a limpo. E mais uma vez, foi-nos dito e ensinado que as incidências desta vida têm de ser, pois então, tiradas a limpo, que os conflitos não são bem o que mostram ser, e que estávamos errados da primeira vez. Não querendo ser repetitivo, a verdade é que voltei a não ir nessa conversa. Não sei, pareceu-me uma má companhia e nunca lhe dei muita confiança. Nunca foi lá a casa e até atravesso a estrada para o outro lado quando vem na minha direção. Passar ou tirar as coisas a limpo reti...

Pedidos

É costume torcer o nariz a quem não diz as palavras mágicas quando pede alguma coisa. Mas o que torcemos nós quando alguém nos pede, por favor, para irmos embora? É difícil imaginar algo mais tocante. Um pedido amavelmente disfarçado de ordem que vem sempre em má altura. É certo que temos de tirar o chapéu a quem tem a dignidade de ser bem educado e pedir por favor para nos ver pelas costas. Admito que seja um ato de benevolência e, simultaneamente, de coragem tentar ser delicado com quem nos incomoda naquele momento. E é um facto que as pessoas preferem levar um pontapé no rabo com umas pantufas em vez de umas botas de biqueira de aço. Ainda assim, cheira a paradoxo por todos os lados. E, pior do que isso, é o que fazem essas palavras. A pele que perfuram, os limites que ultrapassam. Ouvir um pedido desses, ainda para mais acompanhado de um “por favor”, é como ser atingido por uma daquelas “bombas sujas” usadas no terrorismo. É algo diminuto que nos atinge com uma precisão mi...

Abrir a porta

Só há um lugar onde toda a gente é simpática para nós, mesmo sem nos conhecer de lado nenhum. Apenas existe um sítio onde novos e velhos nos presenteiam com graciosos gestos de bondade. Uma situação única seja na cidade ou na aldeia: o vaivém das portas públicas. Sim, estou precisamente a falar daquela situação em que passamos por uma porta mas não retiramos a mão, por simpatia e amabilidade à pessoa de trás, que nos retribui com um delicado “obrigado”. Esta simples ação, este aguardar por quem nunca se viu, este pequeno esforço ensina-nos muito. E nem damos por tal. Qual será o mistério? Que feitiço é este das passagens pelas portas que nos faz esquecer a pressa do século XXI e o frenesim do quotidiano? Bem sei que procuram neste blogue respostas para a vossa vida, mas a verdade é que não sei responder a esta. O que sei, e desde já vos passo a transmitir, é que todos podemos aproveitar esta situação! Se é um facto que as pessoas – sejam boas ou más – parecem derreter-se e...

Para-lamas

Já uma vez escrevi que as pessoas deviam ter sensores de estacionamento como os carros . E desta vez volto à carga. Tal como eles passam na estrada com chuva e nos molham completamente, também as pessoas salpicam as outras com as ações que têm. E eu – quem mais – tenho uma solução. De facto, tal como os popós têm logo atrás dos pneus, também nós devíamos ter uns para-lamas que protegessem quem anda na sua vida e de vez em quando tem de levar com as nossas porcarias. Ninguém tem dúvidas que quando andamos de rastos lançamos lama aos sete ventos, que quando andamos à chuva fartamo-nos de meter e mandar água, que quando somos gélidos sopramos esse frio em todas as direções. Rolamos desenfreadamente sem pensar nos peões que por ali andam, nas crianças que vão atrás da bola, nos cães que correm atrás do carteiro. Os para-lamas iam evitar isso tudo. Não tinham de ser uns monos de borracha preta, atenção! Uma coisa gira, fashion, de uma qualquer marca da moda dos centros comercia...

Chama-se viver

A nossa condição humana – podem-lhe chamar fraqueza – não nos permite descer de um ponto alto como os pássaros fazem. Podemos sonhar ser Ícaros num ponto alto de uma montanha, podemos ser loucos, como poucos o são, mas não somos borboletas prontas a voar. A nossa fraqueza, às vezes cozinha a ambição mais relevante. Ou seja, o homem nunca se dá por vencido! Aos grandes génios, aos grandes intelectuais que forçam a gravidade e experienciam, noutra dimensão qualquer, o sabor do vento a passar pelas suas melhores receitas e antídotos para a vida… fiquem com a saudade das borboletas. Voar sem asas é algo que o sonho nos transmite. Podemos estar vazios… podemos querer arrancar a vida das mãos de alguém mais audaz e tentar seguir os passos, mas a máquina de dentro, o coração… é quem magica e fornece a força necessária a ser forte. Ninguém sente por acaso. Ninguém se dá por acaso. Ninguém se põe à experiência por acaso. Testar os nossos limites é uma lição. E dizer que nos conhecemos ...