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Abrir a porta

Só há um lugar onde toda a gente é simpática para nós, mesmo sem nos conhecer de lado nenhum. Apenas existe um sítio onde novos e velhos nos presenteiam com graciosos gestos de bondade. Uma situação única seja na cidade ou na aldeia: o vaivém das portas públicas.

Sim, estou precisamente a falar daquela situação em que passamos por uma porta mas não retiramos a mão, por simpatia e amabilidade à pessoa de trás, que nos retribui com um delicado “obrigado”. Esta simples ação, este aguardar por quem nunca se viu, este pequeno esforço ensina-nos muito. E nem damos por tal.

Qual será o mistério? Que feitiço é este das passagens pelas portas que nos faz esquecer a pressa do século XXI e o frenesim do quotidiano? Bem sei que procuram neste blogue respostas para a vossa vida, mas a verdade é que não sei responder a esta.

O que sei, e desde já vos passo a transmitir, é que todos podemos aproveitar esta situação! Se é um facto que as pessoas – sejam boas ou más – parecem derreter-se e apaixonar-se pelo sujeito que vem atrás, porque não há de o sujeito juntar-se a esse predicado? Gramaticalmente confusos?

É simples. De hoje em diante passemos a aproveitar esta bondade pontual / fraqueza sentimental da melhor maneira. Sugiro que nos declaremos ao amor da nossa vida ao abrir a porta do centro comercial! Aproveitemos à saída do bar para pedir os 20€ que emprestámos a um amigo há duas semanas! É desta que pedimos ao papá o nosso primeiro carro ao entrar em casa vindos das compras, ou que Coelho e Portas seduzem Seguro e passam a noite juntos!


Não há como resistir! E abrimos duas portas de uma vez só!

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