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Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta sociedade

Burros e Burrinhos

Há uns anos houve uma célebre saga portuguesa no grande ecrã chamada ‘Balas e Bolinhos’, Agora os tempos são mais evoluídos e a coisa passa do cinema para os ecrãs dos nossos computadores e telemóveis. Não é um filme, mas há quem os faça; não concorre aos Óscares, mas há atuações dignas de prémio. Os comentadores das redes sociais podem, então, dividir-se em muitas categorias, uma das quais, se me dão licença, apelido aqui de ‘ Burros e Burrinhos ’. A ideia veio-me à cabeça quando navegava por esses mares cibernáuticos fora. De vez em quando passo por ilhas de informação, onde as piranhas ávidas de ódio tentam mordiscar os calcanhares de quem, com elevação, tenta fazer deste um mundo mais culto. Tal como no futebol, as pessoas passaram a querer títulos acima de qualquer outra coisa . E, sendo assim, sentem-se banqueteadas com eles sem que, na verdade, tenham comido 5% da informação que se pretendia passar. Podem dizer-me, e eu admito, que o atual formato das redes soci...

Marcelo e o assalto à Casa Branca

Há um filme de 2013 chamado ‘Assalto à Casa Branca’ (ou ‘Olympus has Fallen’ na versão original) em que o lar do presidente dos Estados Unidos da América é invadido por malfeitores. Ora, na quinta-feira assistimos a uma versão real desta película, com a diferença de, em vez de malfeitores, a Casa Branca ser tomada de assalto por Marcelo Rebelo de Sousa . Tenho Donald Trump como um estratega que não é tão limitado em pensamento como aparenta. Evidentemente, tem ideias lunáticas e crê que o planeta é uma ‘sand box’ gigante, se me permitem uma expressão muito em voga no mundo dos videojogos. No entanto, Trump faz da atenção a todos os perigos apontados à América uma bandeira sua e as propostas vão desde um simples muro na fronteira à proibição de entrada de muçulmanos, passando por bombardear a Síria ou criar uma força espacial – esta, confesso, nem o mais criativo dos génios se lembrava. No entanto Trump e a sua – atenção: ler com sotaque rasca francês – entourage não esta...

Uma no cravo e outra na ditadura

Ouço/leio com mais frequência do que gostaria que o país precisava é que Oliveira Salazar cá estivesse, que naquele tempo ninguém roubava e que a Justiça funcionava a todo o gás, entre outras pérolas dignas de um sketch de Gato Fedorento. Significa pois que mais de 80 anos não foram suficientes para confinar a terrível beleza da ditadura aos livros de história: 40 deles foram passados sob um regime opressor e os 44 seguintes sob a democracia que muitos não merecem . É óbvio que sou um nativo da liberdade. Nasci com ela e o único contacto que tenho com essa altura negra da história lusitana é com o que vou aprendendo. Não vivi aqueles dias, não conheci aqueles tempos. Mas confio cegamente nos relatos que vou absorvendo e discernindo de outros que ficaram parados no tempo . Teorias há muitas, ao jeito de cada um, e também eu tenho as minhas. Uma delas é que o único salazar que faz falta nos dias de hoje é o de cozinha , aquele engraçado utensílio usado para rapar a massa dos bol...

A mesma Lua

Não mintam mais: este mundo não é pequeno, nem nada que se pareça. Este mundo é gigante, maior do que devia ser, tão vasto que é fácil perdermos nele aquilo ou aqueles que queríamos ter sempre connosco. Não há bússola que nos valha na imensidão deste planeta, não há GPS que nos ajude a encurtar os quilómetros que nos apertam o coração. Muitas vezes não podemos dar a mão direita sem largar da esquerda algo que agarrávamos faz tempo. E isso traz-nos escolhas, escolhas difíceis de fazer que nos fazem sentir perdidos no tal mundo que, juravam-nos a pés juntos, era pequeno. Sim, é inevitável perdermos objetos, pessoas e memórias através dos caminhos da vida. Contem com isso, não pensem que podem guardar tudo num bolso e depois recorrer a ele quando têm saudades, como quem puxa de um pacote de bolachas quando a fome aperta no ventre. Posto isto, e depois desta sombra toda, é altura de olharmos para cima. Sim, para cima. É lá que está o elo, é lá que está o nosso telefone, o no...

Pergunta:

Qual dos seguintes acontecimentos é mais provável observar em Portugal? Justifique. a) Relvas a cortar anos durante a licenciatura. b) Licenciados a cortar relvas durante anos.

O outro lado

Aprendemos desde miúdos que até uma bola tem dois lados. E é assim neste mundo bilateral que crescemos e vamos observando o mundo. Mas porque raio todas as coisas têm de ter dois lados? Sem nos apercebermos, estamos completamente fartos, enfadados, aborrecidos com o facto de a vida ter sempre os mesmos dois lados. Por um lado isto, por outro lado aquilo. Andar sempre de um lado para o outro. Ver o outro lado das coisas. Existir sempre um lado direito e um lado esquerdo. Um lado de fora e um lado de dentro. Um lado de cá e um lado de lá… Dou comigo a pensar: e se isto não fosse assim? Se houvesse mais que dois lados? Sem querer estar aqui a gabar-me de ser um esplêndido visionário – que sou – não posso deixar de pensar que um dia, quando enfrentar uma entrevista de emprego com esta mentalidade, serei imediata e precocemente excluído do processo, como quem perde 5-0 em casa na primeira mão da eliminatória. Porquê? Porque o empregador quer mais do que dois lados: ...

Triste sina...

Senhoras e senhores, penso que já deverão saber a notícia do dia... É triste, porém verdade. Eu, Luís Simões, nascido e registado em Viseu, crescido e educado em Tondela, atualmente a ser formado em Coimbra, assaltado e espancado na África do Sul, internado em Joanesburgo, a caminho do céu, onde tu estás toda nua só com um véu, só com um véu, só com um véeeeu!!... Hum... Peço desculpa, excedi-me. Estava eu a dizer que é uma desgraça, aque-d’el-rei, acudam, acudam, que eu não ganhei o euromilhões! É verdade, não fui contemplado com os tão merecidos 185 milhões de pequenas moedas de 1€, que tanto gostaria de contar uma a uma nas tardes livres, onde teria todo o prazer do mundo em enganar-me na contagem para começar de novo. Continuo pobre, à espera de uma herança perdida que nunca mais chega, de um ancestral oriundo dos fiordes noruegueses. No ranking monetário deste mundo, não passo certamente da categoria de lixo – aliás estou à espera que a Moody’s me corte o rating. Mas eles vão ...

Primeiro os mais velhos!

E pronto. Lá tomou posse o novo governo cá do sítio, com toda a pompa e circunstância. Talvez mais com pompa, que as circunstâncias do momento não são as melhores. Confesso que este governo não foi escolha minha mas, como todos os portugueses, deposito nele a esperança platónica que isto vá ao lugar e que sejamos todos muito felizes. Contudo, o que tenho ouvido da boca de vários comentadores de sofá são essencialmente críticas à média de idades do novo Executivo. E se há coisa que me põe os cabelos em pé (tirando Shockwaves) é a crítica fácil e despropositada dos mais velhos aos mais novos. Claro que, neste assunto, os meus 22 anos são mais suspeitos do que os pais da pequena Maddie, mas também mais inocentes. De facto, é comum ouvir que a juventude não liga à política, que só quer borga, que os adolescentes querem é espancar outros e meter os vídeos na internet, que já ninguém respeita a história do país, que são todos uma cambada de malandros que vive à custa dos pais, que têm a vida...