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O outro lado

Aprendemos desde miúdos que até uma bola tem dois lados. E é assim neste mundo bilateral que crescemos e vamos observando o mundo. Mas porque raio todas as coisas têm de ter dois lados?


Sem nos apercebermos, estamos completamente fartos, enfadados, aborrecidos com o facto de a vida ter sempre os mesmos dois lados.

Por um lado isto, por outro lado aquilo.

Andar sempre de um lado para o outro.

Ver o outro lado das coisas.

Existir sempre um lado direito e um lado esquerdo.

Um lado de fora e um lado de dentro.

Um lado de cá e um lado de lá…


Dou comigo a pensar: e se isto não fosse assim? Se houvesse mais que dois lados?

Sem querer estar aqui a gabar-me de ser um esplêndido visionário – que sou – não posso deixar de pensar que um dia, quando enfrentar uma entrevista de emprego com esta mentalidade, serei imediata e precocemente excluído do processo, como quem perde 5-0 em casa na primeira mão da eliminatória. Porquê? Porque o empregador quer mais do que dois lados:

- E se por um lado tenho este currículo, por outro tenho uma grande experiência social e…

- Ok, Pedro. Já ouvi o suficiente.

- É Luís...

- Luís, Luís, desculpe. Pode sair que depois entramos em contacto consigo. Feche a porta por favor.


Agora, o apelo dramático: jovens como eu, vamos mudar isto! Vamos chegar ao momento e dizer os vários, infinitos lados das coisas. Esqueçamos o “por um lado” e vamos simplesmente juntar todas as coisas boas, numa linda sinergia do género 2+2 > 4, como aprendi numa cadeira esquisita do meu curso. O mundo atual não tem tempo para um lado e depois para o outro! Vamos bombardeá-lo com todos os nossos lados, por todos os lados dele. Disparar em todas as direções.

A isto se chama dinamismo, esse doce com o qual a maioria dos empresários não se importa de ficar diabética.

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