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A mostrar mensagens com a etiqueta Portugal

Cima ou baixo

É uma maneira muito própria de definir tudo e mais alguma coisa neste país e a verdade é que eu gosto dela. Nunca fui aquela pessoa de dividir as coisas por várias camadas, de as definir por estratos, ter vários separadores, uma pastinha para cada uma. Portugal não é assim mas, para o bem ou para o mal, lá vai funcionando dessa forma. Cima ou baixo , ou acima ou abaixo, serve para nos orientarmos neste país cuja própria geografia tem por base a verticalidade. Não é à toa que quem mora em Lisboa vai lá acima no Natal e lá abaixo no verão. Ou que quando viajamos e pedimos indicações para encontrar aquele tasco, nos dizem do outro lado do telefone que é mais abaixo nessa rua. No futebol, por exemplo, os treinadores reforçam que acima de tudo está a equipa, embora nos últimos tempos a bola fique abaixo do tema das arbitragens nas prioridades de quem fala aos adeptos. E isso danifica aquele sentimento de ir ao estádio no domingo à tarde com os amigos e procurar a nossa ...

Furacão Leslie e a tempestade Bolsonaro

O furacão, tempestade, enfim, ventania da grossa passou por cá e deixou uma parte do país de saias levantadas. E, como sempre acontece quando uma cuequinha fica à mostra, há sempre quem deite o olho e aproveite para troçar. O fenómeno chamou-se Leslie mas bem poderia chamar-se Bolsonaro , porque são deveras semelhantes . Os alertas sobre o mau tempo chegaram tarde e a más horas, ainda que as justificações se baseiem no comportamento errático do Leslie. Também no Brasil, o famoso #EleNao despontou quando 45 milhões de votantes já tinham na cabeça #EleSim . E Jair Bolsonaro, qual Messias – que, de resto, é o seu nome do meio - , entrou pela democracia brasileira e provocou estragos ao vencer a primeira volta das presidenciais. Tenho um amigo que não acredita nisso das alterações climáticas. Segundo ele, é tudo (ironicamente) uma tempestade num copo de água. Ainda não falámos no pós-Leslie, mas de certeza que vai dizer-me que as telhas que voaram do seu prédio são uma coisa “p...

Marcelo e o assalto à Casa Branca

Há um filme de 2013 chamado ‘Assalto à Casa Branca’ (ou ‘Olympus has Fallen’ na versão original) em que o lar do presidente dos Estados Unidos da América é invadido por malfeitores. Ora, na quinta-feira assistimos a uma versão real desta película, com a diferença de, em vez de malfeitores, a Casa Branca ser tomada de assalto por Marcelo Rebelo de Sousa . Tenho Donald Trump como um estratega que não é tão limitado em pensamento como aparenta. Evidentemente, tem ideias lunáticas e crê que o planeta é uma ‘sand box’ gigante, se me permitem uma expressão muito em voga no mundo dos videojogos. No entanto, Trump faz da atenção a todos os perigos apontados à América uma bandeira sua e as propostas vão desde um simples muro na fronteira à proibição de entrada de muçulmanos, passando por bombardear a Síria ou criar uma força espacial – esta, confesso, nem o mais criativo dos génios se lembrava. No entanto Trump e a sua – atenção: ler com sotaque rasca francês – entourage não esta...

Uma no cravo e outra na ditadura

Ouço/leio com mais frequência do que gostaria que o país precisava é que Oliveira Salazar cá estivesse, que naquele tempo ninguém roubava e que a Justiça funcionava a todo o gás, entre outras pérolas dignas de um sketch de Gato Fedorento. Significa pois que mais de 80 anos não foram suficientes para confinar a terrível beleza da ditadura aos livros de história: 40 deles foram passados sob um regime opressor e os 44 seguintes sob a democracia que muitos não merecem . É óbvio que sou um nativo da liberdade. Nasci com ela e o único contacto que tenho com essa altura negra da história lusitana é com o que vou aprendendo. Não vivi aqueles dias, não conheci aqueles tempos. Mas confio cegamente nos relatos que vou absorvendo e discernindo de outros que ficaram parados no tempo . Teorias há muitas, ao jeito de cada um, e também eu tenho as minhas. Uma delas é que o único salazar que faz falta nos dias de hoje é o de cozinha , aquele engraçado utensílio usado para rapar a massa dos bol...

Portugal não está preparado mas a culpa não é nossa

Portugal não está preparado para nada e nem poderia ser de outra forma. Que sentido faria estarmos a postos se há tanta coisa que pode acontecer neste mundo e que não depende das nossas pequenas barriguinhas? A coisa torna-se ainda mais visível nestes dias de mau tempo: não estamos preparados para tanto frio nem para tanta chuva em tão poucas horas. Manda-se encerrar as escolas e temos a única estância de esqui no planeta que fecha… quando neva . Da mesma forma, no verão não estávamos preparados para tanto calor. A seca apanhou-nos de surpresa, mesmo que se tenha consumado ao longo de meses. Não estávamos preparados para os incêndios pois não tínhamos as matas limpas, da mesma forma que agora não estamos preparados para limpá-las nos prazos estabelecidos. Mas não é só a nível da natureza que nos podemos queixar. Também não estávamos preparados para a crise que nos bateu à porta em 2008. Não estávamos preparados para a ruína do BES, para o desfalque do BPN ou para o escândal...