Avançar para o conteúdo principal

Dia 6

16:30
A VMER não está. Só me resta esperar.

17:30
O carro chega aos HUC e reconheço apenas o enfermeiro Soares, com quem já tinha falado. A médica é a Dra. Ana Valentim. Tempo para pôr a conversa em dia e explicar o propósito desta reportagem.

18:22
Ouve-se a música associada ao toque do telemóvel do INEM. É a primeira saída do dia e não vamos para longe. Pelas informações que nos chegam, trata-se de uma overdose no Arnado.

18:28
Chegamos ao local, onde a vítima já se encontra dentro de uma ambulância da Cruz Vermelha. Terá sido uma overdose de heroína. São administrados os fármacos adequados e o homem é transportado para os HUC.

18:44
Já nos HUC, a Dra. Ana refere que estes casos estão a diminuir, mas que ainda ocorrem com alguma frequência na cidade. Pergunto o que aconteceria se fosse encontrada droga junto da vítima. Explica que, nesse caso, a equipa do INEM teria de trazer os estupefacientes para o hospital, e contactar as autoridades.

Regressamos à base e vamos jantar, por entre uma conversa animada sobre o estado do jornalismo hoje em dia.

18:58
Soa o alarme. Uma senhora idosa, de um lar na Mealhada, está a sentir-se mal. A médica despede-se e é rendida pelo Dr. Pedro Nascimento. Há uma rápida apresentação enquanto saímos para o carro.

20:16
A VMER encontra a ambulância dos Voluntários da Mealhada já na rotunda junto à A1. A vítima é assistida e mais uma vez transportada para os Hospitais da Universidade. Já tinha vómitos acompanhados de sangue há três dias e a situação piorou.

20:40
Chegada aos HUC. Enquanto o Dr. Nascimento assegura a entrega da doente às urgências do hospital, o enfermeiro Soares retira da ambulância o equipamento da VMER e coloca-o de volta no carro. Entretanto é hora de regressar à base.

21:30
Tudo calmo na base quando se começa a ouvir um grande barulho. O helicóptero sediado em Santa Comba Dão acaba de aterrar nos HUC. Vai transportar uma equipa com uma mala térmica, que vai buscar um coração para transplante. O potente aparelho levanta voo perante o olhar curioso de quem circula pela urgência a esta hora.

22:14
Acontece a terceira saída do dia. Mais uma senhora idosa de um lar, desta vez em Murtede. Quando se tratam destas situações, há sempre a suspeita de paragem cardio-respiratória, pelo que todos os segundos contam.

22:31
A VMER chega ao lar. A enfermeira local já administrou alguns fármacos à vítima, mas os gemidos de dor continuam. O médico diz que a auscultação e temperatura estão normais, mas a senhora vai ser transportada para o hospital, dado que não há enfermeiro no lar no período nocturno.

23:10
A senhora é entregue aos cuidados da urgência dos HUC.


A missão está cumprida e acabava assim mais um turno na VMER.

Comentários

Anónimo disse…
Ai vão buscar gajos em overdose? E gajos bêbedos a precisar de boleia para casa? Também vão buscar?

Os mais vistos do momento

Mais do que isto

Mais do que prendas de Natal. Prendas verdadeiras. Mais do que um novo ano. O Ano. Mais do que positiva nos exames. Trabalhar. Mais do que um se calhar , um talvez ou um quem sabe . Certezas. Mais do que ver U2 na net. Ao vivo. Mais do que uma aposta. Ganhá-la. Mais do que fazer 20 anos. Senti-los. Mais do que amigos. Mais. Mais do que Coimbra até agora. Porque há. Mais do que prometer. Cumprir. Mais do que passar. Mostrar. Muito mais do que desejar um grande 2009. Podem parecer desejos, mas não o são. Os desejos não se pedem, constroem-se...

Clave de sol

Um círculo vermelho. E tu no meio. É assim, tão simétrica, a nossa existência. Não fosse o rock’n’roll assolar-me os ouvidos, não fossem os velhos e bons Stones ditarem o ritmo, e era nas tuas curvas que leria a pauta. Autêntica clave, mais forte do que o sol, com mais classe do que a lua. Se nas veias o sangue corre sempre em frente, na cabeça o pensamento diverge sobre todos os caminhos a tomar para chegar a ti. Somos o mapa de nós mesmos, já criámos até um caminho novo, que ninguém tinha previsto e que ninguém percorrera antes. Sem indicações, lá seguimos viagem, cientes de que 2+2 só são quatro se quisermos. Liberdade completa, foi também para isto que Abril nasceu. Existimos em todas as línguas, somos vistos em todos os gestos. Não é preciso explicar a ninguém, porque ninguém ia entender. E, no entanto, entendem-nos desde o princípio. Não fomos feitos um para o outro. Não somos o testo da panela, não encaixamos como Legos, nem temos penteados à Playmobil. Mas a forma como enco...

Um bilhete normal

Os bilhetes normais estão em extinção. É uma realidade que não mais pode ser escondida. As pessoas habituaram-se a ter descontos por tudo e mais alguma coisa e poucos são os que não apresentam um cartão, uma justificação ou uma criança pela mão que os leve a ter um bilhete especial. Pode até nem ser mais barato, não pode é ser normal! O estimado leitor pode fiar-se no que estou a dizer, garanto-lhe. O problema não está no preço, está no facto de não sermos diferentes se não tivermos o nome na guest e não houver passadeira vermelha. Ter um bilhete especial é não ser ninguém a abrir-nos a porta, mas sim termos a chave. É sermos do clube Bertrand quando os outros são do Benfica ou ter um cartão da Sacoor quando os outros têm sacos de cartão. Há de reparar, caro internauta, que na próxima fila onde estiver para pagar algo as pessoas percorrem a carteira, ávidas de cédulas, identificações, cartões da empresa. E vão ao cinema ver o último Star Wars com dois bilhetes NOS e um es...