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Mensagens

Olhos de ver

Assim é difícil. Sei que as aparências iludem, faz parte daqueles chavões que aprendemos à força nesta vida. Mas porra, não deviam ser os nossos olhos os maiores confidentes do mundo? Só queria a verdade. Ver as coisas como elas realmente são. Até as redes sociais, com fotografias ao pontapé de tudo o que mexe, começam finalmente a render-se à realidade onde o “sem filtro” traz de volta a beleza perdida. A verdade é que te vejo de forma distorcida. Sei disso, mas não consigo evitá-lo. Tenho uma imagem tua mais turva do que um bebé que mal vê um metro à sua frente. Sei que não és esse paraíso todo, esse mundo ideal onde sinto que podia ficar centenas de anos. Sei que é mentira. Que os meus olhos me mentem com toda a lata. Mas estou tão apaixonado por eles – ou pelo que eles me mostram de ti – que caio repetidamente no erro de voltar, como quem é traído uma e outra vez mas perdoa sempre. O amor é cego - é uma verdade. Mas tanto é fogo que arde sem se ver, como vemos algo a...

A coerência de Jesus e Sócrates

Não sei se algum dia se cruzaram. Não faço ideia se Jorge Jesus vota no PS nem me lembro se José Sócrates é do Benfica, mas nestes últimos tempos estiveram ambos ligados pela coerência, algo admirável nas pessoas. Comecemos por Évora. O advogado de Sócrates – o bonacheirão, não o outro mal disposto – sempre disse que nunca iria aceitar uma eventual prisão domiciliária porque seria como assinar metade da culpa. Concordar com o facto de estar preso, ainda que em casa, pode virar o rumo das coisas. A Justiça estendeu a mão a Sócrates num dia em que estavam 30 e muitos graus no Alentejo. Tinha tudo para acabar bem: o ex-primeiro ministro regressava a casa, ao ar condicionado, via a família, podia fazer o seu jogging no quintal e ainda ganhava um valioso exemplar de bijuteria abraçado ao tornozelo. Mas Sócrates não quis. Entendeu que todas as benesses do seu lar, do conforto dos seus, não superavam o que teria a ganhar com a sua nega. Já antes Jorge Jesus tinha feito o mesmo. Podi...

Só me ganhas assim

Não é justo. Como se não bastasse este ser um duelo desequilibrado, ainda por cima não jogas sozinha. Uma coisa é lutar, ganhar-te num ombro a ombro, puxar-te a camisola para te travar, marcar-te quase corpo a corpo; outra é conseguir estar ao nível dessa tua arma secreta que faz as apostas caírem para o teu lado. Sabes perfeitamente que começas os jogos – pelo menos contra mim – a ganhar 1-0. Não sei bem quando foi, mas descobriste-me esse ponto fraco e, a partir daí, tens abusado. Bem posso correr a fundo, entregar-me completamente ao jogo, deitar os pulmões cá para fora, que o resultado é sempre o mesmo: eu perco, tu ganhas. Já te disse que não é justo? Não devia ser permitido desvirtuar desta maneira a verdade da competição. Devíamos ser só eu e tu, sem interferências de terceiros. Mas não, recorres sempre à mesma arma e a mim resta-me fazer como o pequeno cão que se deita de costas e vira as patinhas para cima, submisso. Custa-me perder sempre, enerva-me perder muit...

7 anos a oferecer cultura geral

A coisa estendeu-se e são já sete anos. Não foi dos primeiros, mas o mundo dos blogues há de acabar e o Digo-te será aquele que fecha a luz, bate a porta e vai para casa, já de manhã, com o sol a cegar. Parabéns a quem passa por cá e limpa os pés antes de entrar. O blogue faz anos mas são vocês que merecem prendas. E por isso as mensagens de parabéns mais sinceras ou as fotos íntimas mais ousadas que enviarem valem livros Baba & Camelo grátis! Façam-nas chegar de todas as maneiras e feitios: aqui no blogue, no Facebook do autor, por mensagem privada ou sms, telefonem, mandem aviões de papel, enviem um pombo correio. Mas é só hoje e amanhã!

Onde ficas?

O sol está de frente, a fazer-me a vida negra no para-brisas; à esquerda só vejo árvores, que vão passando por mim com velocidade; à direita espreito o mar, imenso e calmo como que a pedir um mergulho. Sei que ainda não passei. Só não sei bem onde ficas. Um poeta diria que é tão estranho quanto fácil perdermo-nos num sítio onde realmente nunca chegamos a ir. Procurei em todos os mapas que tinha, fui ao sótão buscar as enciclopédias guardadas há anos e até comprei um GPS dos melhores. Tinha a certeza de que estava preparado para chegar ao destino. Fiz-me à estrada. Já não tenho aquela idade dos porquês nem do perguntar a cada dois minutos se falta muito. E por isso nem dou conta de que estou há horas à espera que apareça um sinal. Uma tabuleta, uma ajuda, algo familiar. Não me apercebo de que o sol já mudou de sítio. Para mim continua de frente, forte como no verão. Não reparo que o outono levou todas as folhas das árvores ao meu lado esquerdo e que agora só restam ramos seco...