Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta amizade

Cima ou baixo

É uma maneira muito própria de definir tudo e mais alguma coisa neste país e a verdade é que eu gosto dela. Nunca fui aquela pessoa de dividir as coisas por várias camadas, de as definir por estratos, ter vários separadores, uma pastinha para cada uma. Portugal não é assim mas, para o bem ou para o mal, lá vai funcionando dessa forma. Cima ou baixo , ou acima ou abaixo, serve para nos orientarmos neste país cuja própria geografia tem por base a verticalidade. Não é à toa que quem mora em Lisboa vai lá acima no Natal e lá abaixo no verão. Ou que quando viajamos e pedimos indicações para encontrar aquele tasco, nos dizem do outro lado do telefone que é mais abaixo nessa rua. No futebol, por exemplo, os treinadores reforçam que acima de tudo está a equipa, embora nos últimos tempos a bola fique abaixo do tema das arbitragens nas prioridades de quem fala aos adeptos. E isso danifica aquele sentimento de ir ao estádio no domingo à tarde com os amigos e procurar a nossa ...

A mesma Lua

Não mintam mais: este mundo não é pequeno, nem nada que se pareça. Este mundo é gigante, maior do que devia ser, tão vasto que é fácil perdermos nele aquilo ou aqueles que queríamos ter sempre connosco. Não há bússola que nos valha na imensidão deste planeta, não há GPS que nos ajude a encurtar os quilómetros que nos apertam o coração. Muitas vezes não podemos dar a mão direita sem largar da esquerda algo que agarrávamos faz tempo. E isso traz-nos escolhas, escolhas difíceis de fazer que nos fazem sentir perdidos no tal mundo que, juravam-nos a pés juntos, era pequeno. Sim, é inevitável perdermos objetos, pessoas e memórias através dos caminhos da vida. Contem com isso, não pensem que podem guardar tudo num bolso e depois recorrer a ele quando têm saudades, como quem puxa de um pacote de bolachas quando a fome aperta no ventre. Posto isto, e depois desta sombra toda, é altura de olharmos para cima. Sim, para cima. É lá que está o elo, é lá que está o nosso telefone, o no...

É aqui que se dá a magia

Costumava pensar que o facto de raramente me chatear com alguém resultava da forma como levo a vida, da minha personalidade e da calma e relatividade com que brindo os maus momentos. Bem, isto não deixa de ser verdade. Mas também não é mentira nenhuma que uma das melhores formas de nos conhecermos é através dos outros. É através deles que nos refletimos, que realçamos o que temos e o que somos de bem ou de mal. Ora se eu pauto por toda aquela calma e paz que escrevi na primeira frase, não é difícil adivinhar que só algo muito importante, algo que conta, que mexe comigo, podia interferir com esse mesmo estado. Não é fácil deitar-me abaixo, entristecer-me, suscitar dúvidas onde não as havia. Nada fácil. Mas acontece. Sou humano, tenho todas as características como tal e não posso fugir a elas. Quando tocas ao de leve nos corninhos do caracol, eles não demoram a voltar rapidamente para cima. Agora quando ages com mais agressividade, não voltas a vê-los tão cedo. Mas é aqui ...

Os amigos veem-se...

Quem me conhece sabe que não gosto de provérbios, frases feitas e clichés. E faço, ou tento fazer tudo para os contrariar e sair vencedor. Não sei porquê, mas esta é a verdade. E alguns desses lemas deixam-me mesmo fora de mim. Senão vejamos o seguinte exemplo: “Os verdadeiros amigos veem-se nos maus momentos.” Com licença, caro leitor, que vou só ali dois minutos regurgitar a carbonara do almoço. Eu não acredito que haja um único ser neste mundo redondo que, ao pensar durante os dois minutos desta minha nojenta ação, não chegue à conclusão da farsa presente nesta tábua da sabedoria popular. Vamos por partes. À partida, não tenho por hábito ter amizades falsas. Digamos que não me dá jeito. Quanto aos maus momentos, todos têm os seus, seja porque o nosso tio foi atropelado ou a miúda mais gira da escola nem sonha que existimos. Mas voltemos aos amigos. Aos bons e verdadeiros desta vez. Suponha o leitor que está num momento terrível da sua vida, o céu parece que lhe vai ca...