Avançar para o conteúdo principal

Bem-me-cai, mal-me-cai


Não sei o que caiu melhor por estes dias: aquele meteorito na Rússia ou um moscatel duplo com duas pedras de gelo.

“Não bebas água por cima do leite que te cai mal” ou “aquela última cerveja de ontem não me caiu bem” são expressões muito comuns por este país fora. E até há outras, agora muito na moda, que roçam o brejeiro: “o que caía bem agora era o Passos Coelho de uma ponte”.

De facto, toda a gente arrisca o seu palpite sobre o que caía bem ou mal neste país. Pode dizer-se, em jeito de trocadilho barato, que todos temos queda para a coisa. O governo, por exemplo, pensa que o que caía bem eram as despesas do Estado, mas afinal o que cai – e bem – são as receitas. Já o comum Zé Povinho queixa-se de que os impostos caem mal, quando na verdade queria que estes caíssem, e bem, a pique.

No setor económico, e numa altura em que os mercados são tão falados, também as bolsas sofrem com esta expressão. A única coisa que cai bem aos acionistas é quando as suas ações não sofrem quedas.
Mudando o ângulo de abordagem para algo mais familiar, uma cerveja gelada cai bem ao final de uma tarde de verão. Contudo um sem abrigo embriagado, que não tem onde cair morto, pode magoar-se ao cair mal na calçada.

Voltando ao início, o famoso pedregulho despenhou-se na Rússia, mas o que verdadeiramente caiu mal (na América) foram as declarações do político soviético que acusou os Estados Unidos de tal ato. Já o penedo maiorzinho, que nos passou ao lado, não chegou a cair, o que caiu bem na humanidade.

Estrondo maior pode causar o moscatel. E se a muitos cai como uma pedra, a mim cai que... nem ginja. Por muito estranho que pareça.

Comentários

Os mais vistos do momento

... É incrível o poder desta cidade. Poder vir para cá o mais devastado possível. Poder sentir-se a pior pessoa do mundo. Até poder sê-la. Mas mudar tudo quando se chega aqui. Coimbra é quase como a ilha da série Lost, que tudo cura e onde tudo acontece. E quem não gosta de se perder aqui? De sentir, de provar, de viver a cidade? Ou aqueles banhos de imersão no filme Wanted. É disso que eu falo. Da capacidade de curar em horas aquilo que, fora daqui, demoraria dias ou meses. Esse é o efeito Coimbra. Presente nas tardes de sol, no espírito académico, nas festas e na noite, mas também nos amigos, nos momentos menos bons, nossos e deles, e nas noites frias e chuvosas. Tudo ajuda, tudo faz parte. As marcas que levamos daqui, duvido que algum dia deixem de se ver. Da mesma maneira que não me imagino a estudar noutra cidade, também não consigo encaixar a ideia de ter de sair daqui no final do curso. Mas vai acontecer. E nesse dia, como nunca, vamos perceber finalmente o poder do fado, sentir...

Trump e os Estados Divididos da América

O mundo olha com atenção para o que se passa nos Estados Unidos. Ou melhor, nuns surpreendentes Estados Divididos da América, nos quais a possibilidade de um pesadelo ao nível do melhor terror de Hollywood é assustadoramente real. É que Trump está mesmo na luta. Há meses que o anunciava. Disse sempre, por entre ameaças à sociedade, que ia vencer as eleições. Contudo, ninguém acreditou que pudesse sequer discutir com o estatuto de Hillary. Quer porque a ex-primeira dama gozava de grande popularidade, quer porque o mundo ria-se de um ricaço que se apresentava às eleições de forma exuberante. Aliás, Madonna disse ontem que o mundo continua a rir-se dos EUA. E é verdade, por duas razões. A primeira porque a missão de um palhaço no circo é fazer rir as pessoas. Trump assumiu a postura do palhaço das eleições norte-americanas, usa o espalhafato, o ar bonacheirão e o lustre do cabelo para arrastar multidões. O problema é o segundo motivo pelo qual o mundo se ri de Trump. É que uma...

Marcelo e o assalto à Casa Branca

Há um filme de 2013 chamado ‘Assalto à Casa Branca’ (ou ‘Olympus has Fallen’ na versão original) em que o lar do presidente dos Estados Unidos da América é invadido por malfeitores. Ora, na quinta-feira assistimos a uma versão real desta película, com a diferença de, em vez de malfeitores, a Casa Branca ser tomada de assalto por Marcelo Rebelo de Sousa . Tenho Donald Trump como um estratega que não é tão limitado em pensamento como aparenta. Evidentemente, tem ideias lunáticas e crê que o planeta é uma ‘sand box’ gigante, se me permitem uma expressão muito em voga no mundo dos videojogos. No entanto, Trump faz da atenção a todos os perigos apontados à América uma bandeira sua e as propostas vão desde um simples muro na fronteira à proibição de entrada de muçulmanos, passando por bombardear a Síria ou criar uma força espacial – esta, confesso, nem o mais criativo dos génios se lembrava. No entanto Trump e a sua – atenção: ler com sotaque rasca francês – entourage não esta...