Avançar para o conteúdo principal

Des(culpas)

Não gosto de desculpas. E não estou a falar daquelas desculpas esfarrapadas que ouvimos de vez em quando. Estou a falar de pedidos de desculpas.


"Pelo menos, deve-me um pedido de desculpas!"


Poupem-me, senhoras e senhores. As desculpas são como as saudades ou as compensações. Se existirem, podem até parecer-nos bom sinal, mas na verdade resultam de algo negativo que aconteceu anteriormente.


Uma verdade dolorosa é sempre melhor que um pedido de desculpas por ter mentido! Um esforço para sorrir é sempre melhor que um pedido de desculpas por estar amuado naquele dia! Uma cedência de passagem é sempre melhor que um pedido de desculpas por ter batido!



As desculpas não fazem sentido. Sentido nenhum. E por isso não gosto de pedir a ninguém que me desculpe. Prefiro assumir a culpa, o que é muito, muito diferente, meus caros. O mesmo se aplica aos outros, em relação a mim. Como podem vocês assumir a culpa de algo que fizeram se logo a seguir suplicam que vos tirem essa mesma culpa? Sejam honestos. Perguntar ao outro se ficou chateado ainda se aceita, mas pedir desculpa é ridículo. Expõe a pessoa a uma situação de inferioridade completamente desnecessária.


Atrevo-me a dizer que um pedido de desculpas nada tem a ver com humildade. Mas talvez não queira ser demasiado radical e dizer que as pessoas humildes são as que não pedem desculpa. É que podia ter de pedir desculpa por isto.


E eu não quero.


Comentários

Os mais vistos do momento

Baba & Camelo já à venda!

Está desvendado o segredo: é um menino! Baba & Camelo chega a este mundo para arrasar, prontinho a roer os chinelos lá de casa e morder aos estranhos! Um presente de aniversário perfeito para o avô! Uma verdadeira aliança para a namorada! Um souvenir marcante para o turista! Um carinho especial no dia da mãe! Esta é a tão aguardada salvação nacional que podem, a partir de hoje, adquirir para resolver os problemas da vossa vida: amarração, casamento, família, amor, negócios, vícios, doenças espirituais, inveja, mau-olhado ou impotência sexual. Podem obter o Baba & Camelo de duas maneiras: 1. através do site da editoraBubok  2. através da minha pessoa, com um preço de amigo. Basta comentar aqui no blogue, indicando um endereço de email (o comentário não será publicado) ou por mensagem no Facebook . Boas leituras de verão!
... É incrível o poder desta cidade. Poder vir para cá o mais devastado possível. Poder sentir-se a pior pessoa do mundo. Até poder sê-la. Mas mudar tudo quando se chega aqui. Coimbra é quase como a ilha da série Lost, que tudo cura e onde tudo acontece. E quem não gosta de se perder aqui? De sentir, de provar, de viver a cidade? Ou aqueles banhos de imersão no filme Wanted. É disso que eu falo. Da capacidade de curar em horas aquilo que, fora daqui, demoraria dias ou meses. Esse é o efeito Coimbra. Presente nas tardes de sol, no espírito académico, nas festas e na noite, mas também nos amigos, nos momentos menos bons, nossos e deles, e nas noites frias e chuvosas. Tudo ajuda, tudo faz parte. As marcas que levamos daqui, duvido que algum dia deixem de se ver. Da mesma maneira que não me imagino a estudar noutra cidade, também não consigo encaixar a ideia de ter de sair daqui no final do curso. Mas vai acontecer. E nesse dia, como nunca, vamos perceber finalmente o poder do fado, sentir...

Clave de sol

Um círculo vermelho. E tu no meio. É assim, tão simétrica, a nossa existência. Não fosse o rock’n’roll assolar-me os ouvidos, não fossem os velhos e bons Stones ditarem o ritmo, e era nas tuas curvas que leria a pauta. Autêntica clave, mais forte do que o sol, com mais classe do que a lua. Se nas veias o sangue corre sempre em frente, na cabeça o pensamento diverge sobre todos os caminhos a tomar para chegar a ti. Somos o mapa de nós mesmos, já criámos até um caminho novo, que ninguém tinha previsto e que ninguém percorrera antes. Sem indicações, lá seguimos viagem, cientes de que 2+2 só são quatro se quisermos. Liberdade completa, foi também para isto que Abril nasceu. Existimos em todas as línguas, somos vistos em todos os gestos. Não é preciso explicar a ninguém, porque ninguém ia entender. E, no entanto, entendem-nos desde o princípio. Não fomos feitos um para o outro. Não somos o testo da panela, não encaixamos como Legos, nem temos penteados à Playmobil. Mas a forma como enco...