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Tudo pode dar certo

E se eu achasse que o mundo inteiro estava contra mim e que, a cada canto, havia uma perna estendida pronta a fazer-me tropeçar? Podia simplesmente continuar, tentar contornar os obstáculos. Mas esta forma de pensar é um caminho que não compreendo, com o qual não corcordo, um caminho que não gosto. Ia acabar por perder se pensasse assim. E eu prefiro muito mais ganhar do que perder.


Um dia alguém me perguntou se acreditava no destino. Disse que não. A vida pode não ser um conto de fadas. Sofremos por aquilo que queremos e muitas vezes acabamos por não alcançar nada daquilo que pretendíamos.


Mas pára e olha em frente! Se pedires desculpa por tudo, as desculpas vão deixar de fazer sentido! Muda! Não é assim tão mau mudar qualquer coisa na nossa vida. Até nos parece aceitável. De aceitável, a mudança passa a agradável. E chega o momento em que já não conseguimos imaginar a nossa vida como era antes!


Não podemos ficar eternamente agarrados àquilo que já foi, presos somente a uma esperança num momento futuro. Sim, porque a esperança que esse momento chegue não é, nem pode ser, a única coisa que te resta agora. Tens sempre aquelas pessoas capazes de te fazerem levantar da cama e tornar-te uma pessoa mais simpática. Lembras-te? Lembras-te das pessoas com quem guardaste este e aquele momento na memória e disseste "até já", naquele lugar onde a noite se transforma em dia sem saberes bem como, e onde o dia rapidamente se transforma em mais uma noite espectacular?


Com essas pessoas, todos juntos, vamos ser melhores, vamos superar-nos, partilhando a tua, a minha, a nossa voz inconfundível!


E é tão bom ter a certeza absoluta que vamos partilhar isto para sempre.

Comentários

AAdagio disse…
Gosto de guardar momentos.Gosto de guardar pessoas na minha memória, mas ainda gosto mais de as ter sempre à minha beira. E gosto das pessoas todas que tenho encontrado, e que se têm tornado especiais. A vida pode não ser um conto de fadas, mas de vez em quando anda la perto, de vez em quando quase que roça a perfeição Quase =)

Gosto do teu texto. Mas acho que ja li estas palavras todas em qq lado. Em momentos diferentes, mas as mesmas palavras (:

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... É incrível o poder desta cidade. Poder vir para cá o mais devastado possível. Poder sentir-se a pior pessoa do mundo. Até poder sê-la. Mas mudar tudo quando se chega aqui. Coimbra é quase como a ilha da série Lost, que tudo cura e onde tudo acontece. E quem não gosta de se perder aqui? De sentir, de provar, de viver a cidade? Ou aqueles banhos de imersão no filme Wanted. É disso que eu falo. Da capacidade de curar em horas aquilo que, fora daqui, demoraria dias ou meses. Esse é o efeito Coimbra. Presente nas tardes de sol, no espírito académico, nas festas e na noite, mas também nos amigos, nos momentos menos bons, nossos e deles, e nas noites frias e chuvosas. Tudo ajuda, tudo faz parte. As marcas que levamos daqui, duvido que algum dia deixem de se ver. Da mesma maneira que não me imagino a estudar noutra cidade, também não consigo encaixar a ideia de ter de sair daqui no final do curso. Mas vai acontecer. E nesse dia, como nunca, vamos perceber finalmente o poder do fado, sentir...

“Já não sou uma criança!”

Quantas vezes pensaste ou disseste isto a quem te tratou como tal, convicto de que, efectivamente, já deixaste essa fase para trás? Estás mesmo convencido de que és diferente daquele puto que chorava por um Game Boy? Dizes que já não és o reguila lá de casa, agora já não te obrigam a comer a sopa e aquelas tias mais gordinhas já nem se atrevem a beliscar-te as bochechas. Porque já és crescido. Maior e vacinado, como diz o povo. Pensa bem: és mesmo? Consideras-te realmente crescido quando tens um exame amanhã e vais sair hoje? Consegues ser responsável quando te põem um carro nas mãos pela primeira vez? Deixas a criança interior de lado e seguras as lágrimas quando o dia te corre mal? És suficientemente adulto para dizer àquela pessoa, sem hesitar, que sempre a amaste mas nunca tiveste coragem de o admitir? Não. E sabes porquê? Porque uma criança não tem essa coragem.

As primeiras chuvas

Todos os anos é a mesma coisa. O mundo parece esquecer-se durante os meses mais quentes de como é viver com chuva. E assim que cai a primeira, escorregamos, caímos e mergulhamos em poças de fantasmas passados, tão cinzentos quanto este tempo. Aí estão elas de novo, as primeiras chuvas. Apanham-nos desprevenidos. Saímos de casa de manga curta, de sapatilhas prontas a roer o asfalto, mas afinal apenas encontramos água a cair do céu, que teima infiltrar-se no nosso corpo e corroer as nossas memórias. A água fria não nos traz as melhores recordações e procuramos rapidamente um acoito onde nos possamos defender. É que até o mais forte dos ferros se deixa moldar pela água. Basta tempo. É por isso que procuramos apoio. O de um guarda-chuva, o de um casaco, o de um abraço. Qualquer coisa que nos fale do sol que vivemos e que nos garanta que ele vai regressar mais depressa do que pensamos. Alguém que troce dos senhores da meteorologia, que diga que eles não percebem nada disto e q...