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Conta-me como foi

A entrada em 2010 foi qualquer coisa de... normal, normal, a fugir para o fantástico!

Primeiro, porque começou no dia 30! Aquelas aventuras de quem não tem nada na cabeça! Acordo e vejo nas notícias alerta amarelo para todo o país, ventos fortes, trovoada, granizo, chuva intensa e muito frio, em especial para o litoral.
E pensei para mim: “Perfeito, vamos embora para o meio da tempestade!”


36 horas depois (ou um ano, se preferirem), saltava e dançava na praia da Nazaré, sob forte queda de granizo, com milhares de pessoas à minha frente!


Mas voltando ao dia 30, a festa começou em grande! Uma casa com 20 a 30 pessoas (nunca cheguei a perceber quantas eram, só sei que via pessoas novas todos os dias!) cheia de personagens hilariantes! E eu pensava que era maluco...

“Não é uma gaja, mas faz pão!”

E sou maluco pois! Horas seguidas de pura rambóia, até os olhos fecharem... Ou não! Noite mal dormida, pelo riso constante!

“Ir a Fátima de joelhos?”


O último dia de 2009. E aquela casa parecia mesmo um 31!

“Preciso de um fino!”

Um, dois, três, quatro, cinco, x!

Incógnita! Era o estado do tempo! À tarde parecia simpático, mas era sol de pouca dura, literalmente!
Dar uma voltinha pela vila, pessoas a chegar, casas para alugar. 2009 a escorrer pelas ruas!

Noite! Festa em casa, como sempre! Nós no meio de nós!

Olá a quem chega, abraço aqui, abraço ali, pessoas de longe, agora perto, daqui a pouco longe novamente! Pessoas amigas do coração que afinal nunca vi!

Festa pura em casa!

Olha, há pessoas na casa ao lado, pessoas de quem gosto, pessoas que quero ver, pessoas que já estou a ver, pessoas que me abraçam, pessoas que já não sei onde estão! Onde, onde, onde... caminho caminho caminho... até 2010!

Praia!

10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... WEEEEEEEE!

“Eu não bebo coca-cola ao fim da noite!”

E bebia-se e viam-se golfinhos, e bebia-se e viam-se baleias com cornos, e bebia-se e via-se um gajo a ser apanhado por uma onda... Espera, ele é dos nossos!

Insultos a quem não estava presente. Mas a quem está sempre.

Desejos e promessas impossíveis, afinal ninguém tinha os pés assentes no chão. Praia, areia, nuvens! E por entre elas, já se via fogo de artifício na Madeira. Não, não! É de Moçambique!

Chegamos mais perto da música! Dos primeiros sons do novo ano, das batidas que nos fazem estremecer e pular. Eles e a sangria! Deixa-me provar disso, e disto, e daquilo.

Trocam-se as palavras, fecham-se os olhos mais um bocadinho, e grita-se “FORMAÇÃO!”

Chega mais um convidado ao areal, perante o qual nos curvamos imeditamente. O granizo cai-nos em cima, a mil à hora, sem piedade.
Debandada! Alguns ficam, eu fico, tu ficas!

“36 horas depois (ou um ano, se preferirem), saltava e dançava na praia da Nazaré, sob forte queda de granizo, com milhares de pessoas à minha frente!”.

Vamos pra casa, não, voltamos, não vamos mesmo pra casa!

Casa, pessoas, sangria, luzes, quente, frio, água! Os telemóveis já funcionam, olá, bom ano para ti também, não estou a ouvir, adoro-te, fazes falta!

Hora de sair novamente! Vamos embora ou não aguentas? Qualquer coisa para o caminho!
Pessoas pessoas pessoas, festa festa festa! Furar entre tudo e todos até à praça principal, banda no palco, banda na minha cabeça, banda naquela gaja e naquela, e naquela também!

Perdidos por estas bandas! Vê-se pouco, ouve-se demais! Vamos para casa! Vamos fugir! Espera espera! Não posso, não sem antes ligar, não dá! Siga.

Encontro de amigos, será que é, é mesmo, abraço molhado mas quente, onde vais, onde ficas, porquê. Vou não vou, não posso. Dizer casa com os dentes cerrados...

Casa, cenário igual, sempre o mesmo, sempre os mesmos. Minutos passam, horas não! Tempo de descansar um pouco, chão é o destino. As ideias fervilham, as piadas também, volta o riso descontrolado! Quarto, porta aberta, porta fechada, sono, afinal não, afinal tenho!

Devia ter ficado, sonho, sono, afinal não, afinal tenho. Devia ter ficado. Telemóveis estúpidos. Sono, sonho, sonooo...

Sol! Acordo em 2010? Já está? Embora, não somos daqui. Histórias da noite, o que foi, o que podia ter sido.

Não há tempo pra ver pessoas, queria vê-las, não há tempo! Carro na marginal, praia deserta, restos de foguetes, restos de 2009 por aqui e por ali. O país a acordar.
Carro já lá vai, mais leve, mais pesado, mas vai, vai uma mensagem, vai outra, ligas, onde estás, beijo.


E agora? Agora falta menos de um ano.

Comentários

caveira disse…
Enfim... Efeitos do álcool...
Se-teleh disse…
deixaste.me no ultimo dia a beber sozinho akele jarrao de sangria...havias d ter vergonha.
Renato o destruidor de sofás disse…
Realmente oh simoes, nao deviamos ter abaondonado o telecel! AH e ja nao me lembrava do "FORMAÇAAAAAO EEEEEEEEEHH", e do fogo de artificio na madeira..

Parece que descobrimos a formula ideal para uma passagem de ano:

Bom grupo de amigos(bebados) + Bom grupo de desconhecidos(Tolos) + Decisao do local à ultima hora = Passagem de ano impacavel.
Ana Patrícia disse…
O melhor texto que alguma vez escreveste! Estou orgulhosa =b

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