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Mensagens

Por aqui passou de tudo

Por aqui passou de tudo. Passaram amigos e as aventuras com eles, passaram culpas e arrependimentos , passou a polícia e a autoridade. Por aqui passaram bocadinhos de trabalho , partes de Coimbra e pedaços de ilusão . Por aqui passou felicidade , festas e retratos de mim mesmo. Por aqui passaram jogos de palavras , o futebol esteve presente e não faltaram alguns medos . Porque o amor tem ligações à tragédia , por aqui passaram sonhos que se tornaram despedidas . Passaram por aqui projetos que me preencheram e raiva que esvazia qualquer um. Por aqui passaram dúvidas mas também houve magia no ar. Por aqui passaram mapas , passaram desejos escaldantes e toques políticos com humor à mistura. Passaram ainda pessoas, muitas, mais do que ninguém . Por aqui já passaram oito anos. E a data até já foi ontem.  Parabéns ao Digo-te .

Um justo campeão

Só vai haver um campeão. Esta verdade de La Palice, que em breve tanta alegria trará a muito boa gente, reduz no entanto o futebol à crueldade que por vezes o caracteriza. Benfica e Sporting estão na luta por um título que encaixaria que nem uma luva em qualquer um deles. Mas apenas um vai celebrar. Com a justiça possível. Em outubro escrevi no Record que o Sporting era o principal candidato à conquista do campeonato, após ter ganho na Luz por 3-0. Comecei, no entanto, por dizer que a corrida ao título é feita de momentos. Faltou-me, por questões de espaço, referir que era muito cedo para fazer um julgamento final. Passaram sete meses. Se tivesse de escrever hoje, obviamente atribuiria o favoritismo ao Benfica – só depende de si – , embora mantivesse a profunda frase dos momentos. É que faltam duas jornadas e parece, ainda assim, que nunca faltou tanto como agora para sabermos quem leva o caneco. O Benfica merece ser campeão . Se o conseguir vai coroar o esforço de quem an...

O amor quer-se bem passado

Andava eu a ouvir músicas ao acaso, nessas viagens loucas que o Youtube nos proporciona, quando ouvi a maior verdade do dia, se não mesmo do ano. O amor quer-se bem passado. É isto, sem tirar nem pôr, que no que está bem não se mexe. De facto, o amor não se quer morno, não rima com semifrio e não nasce no gelado. O amor precisa de ser cozinhado, bem cozinhado, para matar todas as bactérias. É ardente e, portanto, tem de ser fervido. Ao lume, a vapor, no forno do coração. No amor não há lugar a meio termo. Não há ninguém que, como o empregado da cervejaria, entenda que queremos o prego “médio”. O amor não pode ser cru. Um amor de sushi não flutua, um amor de tártaro acaba – acreditem – por ir ao fundo. Não é difícil entender que um amor não pode ter sangue. Que a desculpa de que assim fica tenrinho, que não fica seco, que é mais saboroso, são tudo tretas de quem nunca cozinhou um amor a sério. De quem nunca temperou um amor com o sal das próprias lágrimas, de quem nunca o...

"Ninguém" é tudo

Nunca subestimar o poder de uma música. Aprendam, faz sentido. Que ninguém duvide disso. Que ninguém pense o contrário por um segundo que seja. Porque ali, naquele momento, só estava eu. Tanta gente à minha volta e só estava eu. E mais ninguém. Ninguém podia estar ali para além de mim. À primeira vista podia pensar que sim, que tu podias perfeitamente estar ali, que estavas em todas as notas daquela música. Que pairavas naquele ar, que estavas à distância de um sono. Que estavas ali comigo. Mas não estavas. Não estava ninguém. Quando a letra me dizia que aquele era o meu lugar, quando as luzes davam cor ao que os olhos só viam a preto e branco. Quando um sorriso forçado me servia o último copo da noite, quando passava a mão pelo cabelo, quando sorria, fechava os olhos e levantava a cabeça. Era só eu. Eu e ninguém. Não estavam as tuas cores, não estavam os teus sons, não estava a tua força. E ainda assim lá estava eu, fechado como um bebé na barriga da mãe. A sorrir feito ...

Os três dias dos namorados

Ah o dia dos namorados… Muitos são os que dizem que não faz sentido nenhum. Tolos. Não só faz todo o sentido como devia ser a triplicar. E, ainda por cima, este ano encaixava na perfeição: o fim-de-semana dos namorados. Assim mesmo, de sábado a segunda, como quem estabelece uma programação para a nova coqueluche da rentrée televisiva. O dia dos namorados não devia ser um, mas sim três. Um pouco como a festa do Avante, mas com corações em vez de foices e martelos. Três dias como o Carnaval, revestidos de folia, expectativa e máscaras – enfim, tudo a que o amor tem direito. Tudo começava no sábado. Afinal, não há dia mais festivo do que este. Dormimos a manhã toda e não trabalhamos no domingo. Não sei se há estudos que o provem, mas tenho cá para mim que as maiores surpresas do Sr. Cupido aparecem ao sábado. Claro que podemos planear tudo durante a semana, imaginar o que vamos – ou temos de – dizer àquela miúda para ela cair na nossa conversa. Podemos comprar o cachecol da mo...