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Mensagens

Jorge Jesus e as saudades nossas

Jorge Jesus deu ontem a melhor entrevista da sua carreira e uma das melhores que vi nos últimos tempos. Acompanhei a meio gás em direto na CMTV e no dia seguinte usei a maravilha da tecnologia para ver a sessão completa em casa.
Tenho a ideia que toda a gente simpatiza com JJ. Os 63 anos ajudam muito neste aspeto, há uma certa figura paternal que emerge e que, não tenho dúvidas, é crucial na sua relação com os jogadores. É óbvio que, tal como acontece com os pais, nem sempre encaixa da melhor maneira na nossa paciência, mas a verdade é que pouco depois está tudo sanado.
Jesus, que recentemente emigrou para a Arábia Saudita, falou durante horas. Não houve ali complexos, não falou apenas de futebol, não houve sinais dos milhões que foi ganhar para o Al Hilal. Ali esteve um treinador que ganhou lugar nos mais mediáticos de sempre em Portugal.
Não foram raros os momentos em que o antigo técnico de Sporting e Benfica me pareceu estar a conter as lágrimas. Perceba-se, então, de onde vem aq…

Marcelo e o assalto à Casa Branca

Há um filme de 2013 chamado ‘Assalto à Casa Branca’ (ou ‘Olympus has Fallen’ na versão original) em que o lar do presidente dos Estados Unidos da América é invadido por malfeitores. Ora, na quinta-feira assistimos a uma versão real desta película, com a diferença de, em vez de malfeitores, a Casa Branca ser tomada de assalto por Marcelo Rebelo de Sousa.
Tenho Donald Trump como um estratega que não é tão limitado em pensamento como aparenta. Evidentemente, tem ideias lunáticas e crê que o planeta é uma ‘sand box’ gigante, se me permitem uma expressão muito em voga no mundo dos videojogos. No entanto, Trump faz da atenção a todos os perigos apontados à América uma bandeira sua e as propostas vão desde um simples muro na fronteira à proibição de entrada de muçulmanos, passando por bombardear a Síria ou criar uma força espacial – esta, confesso, nem o mais criativo dos génios se lembrava.
No entanto Trump e a sua – atenção: ler com sotaque rasca francês – entourage não estavam preparados…

Largos dias têm 10 anos

Há 10 anos que escrevo um blogue. Há poucas coisas que faça há tanto tempo. Talvez respirar, duvidar da meteorologia para amanhã ou tentar adivinhar o preço da montra final. Já aqui falei de tudo e na verdade ainda não falei de nada. Porque, ao contrário do que recomendam os 750 manuais para ter sucesso “no seu blogue”, o Digo-te não tem um tema específico. É como aquele nosso amigo que não sabemos bem o que faz no emprego e que carinhosamente associamos à parte logística. Este blogue faz aquilo que os Gato Fedorento um dia apelidaram de faturação de faturas. Não sabe o que faz, embora já devesse saber, tal e qual um miúdo de 10 anos. Aprendeu a escrever e já pensa que é o maior. Só pensa em si mesmo e goza com os miúdos que se inscrevem nos escuteiros. O Digo-te não é, de todo, pontual. Ora aparece com conteúdos novos em dias seguidos, ora tira férias durante um mês inteirinho. É patrão de si mesmo, como o Peixoto era quando Carlos Cunha fugia com a garota no atrevido Maré Alta da SIC. A…

Uma no cravo e outra na ditadura

Ouço/leio com mais frequência do que gostaria que o país precisava é que Oliveira Salazar cá estivesse, que naquele tempo ninguém roubava e que a Justiça funcionava a todo o gás, entre outras pérolas dignas de um sketch de Gato Fedorento.

Significa pois que mais de 80 anos não foram suficientes para confinar a terrível beleza da ditadura aos livros de história: 40 deles foram passados sob um regime opressor e os 44 seguintes sob a democracia que muitos não merecem.

É óbvio que sou um nativo da liberdade. Nasci com ela e o único contacto que tenho com essa altura negra da história lusitana é com o que vou aprendendo. Não vivi aqueles dias, não conheci aqueles tempos. Mas confio cegamente nos relatos que vou absorvendo e discernindo de outros que ficaram parados no tempo.

Teorias há muitas, ao jeito de cada um, e também eu tenho as minhas. Uma delas é que o único salazar que faz falta nos dias de hoje é o de cozinha, aquele engraçado utensílio usado para rapar a massa dos bolos. Está al…

Portugal não está preparado mas a culpa não é nossa

Portugal não está preparado para nada e nem poderia ser de outra forma. Que sentido faria estarmos a postos se há tanta coisa que pode acontecer neste mundo e que não depende das nossas pequenas barriguinhas? A coisa torna-se ainda mais visível nestes dias de mau tempo: não estamos preparados para tanto frio nem para tanta chuva em tão poucas horas. Manda-se encerrar as escolas e temos a única estância de esqui no planeta que fecha… quando neva.

Da mesma forma, no verão não estávamos preparados para tanto calor. A seca apanhou-nos de surpresa, mesmo que se tenha consumado ao longo de meses. Não estávamos preparados para os incêndios pois não tínhamos as matas limpas, da mesma forma que agora não estamos preparados para limpá-las nos prazos estabelecidos.

Mas não é só a nível da natureza que nos podemos queixar. Também não estávamos preparados para a crise que nos bateu à porta em 2008. Não estávamos preparados para a ruína do BES, para o desfalque do BPN ou para o escândalo das Raríssim…