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Mensagens

Portugal não está preparado mas a culpa não é nossa

Portugal não está preparado para nada e nem poderia ser de outra forma. Que sentido faria estarmos a postos se há tanta coisa que pode acontecer neste mundo e que não depende das nossas pequenas barriguinhas? A coisa torna-se ainda mais visível nestes dias de mau tempo: não estamos preparados para tanto frio nem para tanta chuva em tão poucas horas. Manda-se encerrar as escolas e temos a única estância de esqui no planeta que fecha… quando neva.

Da mesma forma, no verão não estávamos preparados para tanto calor. A seca apanhou-nos de surpresa, mesmo que se tenha consumado ao longo de meses. Não estávamos preparados para os incêndios pois não tínhamos as matas limpas, da mesma forma que agora não estamos preparados para limpá-las nos prazos estabelecidos.

Mas não é só a nível da natureza que nos podemos queixar. Também não estávamos preparados para a crise que nos bateu à porta em 2008. Não estávamos preparados para a ruína do BES, para o desfalque do BPN ou para o escândalo das Raríssim…

Sérgio Conceição é a Marisa Liz do FC Porto

Sérgio Conceição é a Marisa Liz do FC Porto. Ou Marisa Liz o Sérgio Conceição dos Amor Electro. É à escolha. A comparação pode parece absurda – nada a que não estejam já habituados se são frequentadores deste blogue – mas eu cá acho-a praticamente perfeita e com todo o sentido do Mundo. Vejamos: sou admirador de Sérgio Conceição. Era-o quando jogava e sou-o agora que treina. Não apenas pelas suas qualidades como treinador, atenção. Acho que ainda tem de dar provas de que é talhado para os grandes clubes e na verdade até está a fazer por isso. Admiro-o sim pela forma como comunica. Seja com os jornalistas, seja com os seus jogadores, seja apenas pelo que transparece mesmo quando não está a falar com ninguém. Chamá-lo ‘Sério’ Conceição seria aceitável em tom de brincadeira mas um bocadinho injusto face ao sorriso fácil que tem e que ainda conserva dos tempos em que apontava golos no relvado. Sérgio rompe uma linha de nevoeiro que havia naquele cargo anteriormente. Um nevoeiro denso e de ce…

A noite que era minha

Eu e a noite estamos zangados. Esta é a verdade. Nunca mais saímos juntos até fugirmos os dois do dia para a minha cama, até nos abraçarmos um ao outro à espera que ela acorde de novo e possamos ir dar mais uma volta pela cidade.
A noite deixou-me e eu não sei porquê. Sempre lhe fui fiel, sempre a respeitei e estive sempre lá quando ela chamou por mim. A noite e eu éramos um só, brilhávamos ao luar como uma tiara de diamantes. A noite merecia essa tiara e eu era a pessoa certa para lha dar.
Eu e a noite estamos de costas voltadas. Por mais que eu a chame, por mais que eu lhe bata à porta, enfrentando o frio e o vento – algo que nunca foi impedimento para nós - , ela não responde, ela não está lá. Ela não brilha mais como dantes, pelo menos para mim.
Acho que a noite tem outro. Primeiro não queria pensar que isso fosse possível. Achava que tínhamos sido feitos um para o outro, que era com ela que ia ficar para sempre e que o escuro era uma das nossas cores favoritas, uma das nossas cores…

O amor é como as latas de atum

Que ninguém tenha dúvidas: quando alguém vos perguntar o que é o amor, respondam prontamente: é como uma lata de atum. Deem uns segundos para que a pessoa respire e absorva todo um mundo de possibilidades que acabou de conhecer, antes de passarem às explicações.
No amor, tal como no atum, é antes de mais preciso ter lata. Não me venham com bifes de atum, com essas paixões de noites de verão que até podem saber muito bem com uma sangria fresca, mas que desaparecem em poucas horas.
Uma lata de atum é feita para durar. Nela cabe um bocadinho do vasto oceano, ali perfeitamente conservado com o passar dos anos. É isso que queremos para o amor. Que também ele mantenha as suas feições com o passar do tempo, que não tenha os chatos prazos de validade e que a frase se fique pelo ‘consumir de preferência’, só assim, simples, sem o ‘antes de’.

Podemos usar o atum e o amor de maneiras distintas, umas mais trabalhadas do que outras. Há dias em que nos apetece chegar a casa e arrancar um beijo à…

A orquestra do Titanic

Durante muitos anos, quando ainda era um potro, não percebi como raio os músicos do Titanic continuaram a tocar até aos últimos minutos de vida do famoso barco. Lembram-se certamente: o luxuoso navio tinha uma orquestra que tentava animar os passageiros ao ar livre, enquanto estes lutavam por um lugar num bote salva-vidas à medida que a embarcação se afundava nas águas gélidas do oceano Atlântico.

Ora, aqui o escriba tinha muita dificuldade em entender a razão que levava aqueles desgraçados a continuar violino na mão, em vez de salvarem a própria pele ou, pelo menos, esboçarem uma reação de pânico absoluto perante a tragédia que se estava a desenhar à sua frente.
Hoje sei por que o fizeram. Infelizmente, o que a orquestra do Titanic fez naquela fatídica noite é atualmente replicado um pouco por todo o lado. Por vezes, não nos resta alternativa que não seja continuar o que estamos a fazer, ainda que ao nosso lado tudo e todos se vão desmoronando. Não é fácil, garanto-vos. Até porque …