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Mensagens

Ter medo da tristeza

Vem nos livros que temos de ser alegres, que a tristeza é uma coisa má, dos infernos, que devemos fugir dela como quem corre para um abrigo em dia de tempestade. Pois bem, a sugestão do dia: também faz bem apanhar chuva de vez em quando.
É isso mesmo. Contrariem tudo o que vos foi dito. Quem teima em não sentir – ou em acreditar que não sente – a tristeza, vive num mundo de ilusão, o que acaba, em si mesmo, por ser bem mais triste. Como seres racionais, temos o direito e, por que não, o dever de experimentar boas e más sensações.
Se querem fugir, fujam antes daqueles que nos dizem que vai ficar tudo bem. Mentem-nos, como as enfermeiras mentem aos miúdos ao dizer que a vacina não dói. A tristeza, como as vacinas, dói, é um facto. Mas se não nos deixarmos picar, como saberemos do que nos estamos a curar quando procuramos sorrisos, afetos e laços?
A verdade é esta: por vezes é preciso estar triste. Não falo de andar por aí a cair aos bocados, lavado em lágrimas e envolto em gritos de de…

A mesma Lua

Não mintam mais: este mundo não é pequeno, nem nada que se pareça. Este mundo é gigante, maior do que devia ser, tão vasto que é fácil perdermos nele aquilo ou aqueles que queríamos ter sempre connosco.
Não há bússola que nos valha na imensidão deste planeta, não há GPS que nos ajude a encurtar os quilómetros que nos apertam o coração. Muitas vezes não podemos dar a mão direita sem largar da esquerda algo que agarrávamos faz tempo. E isso traz-nos escolhas, escolhas difíceis de fazer que nos fazem sentir perdidos no tal mundo que, juravam-nos a pés juntos, era pequeno.
Sim, é inevitável perdermos objetos, pessoas e memórias através dos caminhos da vida. Contem com isso, não pensem que podem guardar tudo num bolso e depois recorrer a ele quando têm saudades, como quem puxa de um pacote de bolachas quando a fome aperta no ventre.
Posto isto, e depois desta sombra toda, é altura de olharmos para cima. Sim, para cima. É lá que está o elo, é lá que está o nosso telefone, o nosso Skype, o …

É aqui que se dá a magia

Costumava pensar que o facto de raramente me chatear com alguém resultava da forma como levo a vida, da minha personalidade e da calma e relatividade com que brindo os maus momentos. Bem, isto não deixa de ser verdade. Mas também não é mentira nenhuma que uma das melhores formas de nos conhecermos é através dos outros. É através deles que nos refletimos, que realçamos o que temos e o que somos de bem ou de mal.
Ora se eu pauto por toda aquela calma e paz que escrevi na primeira frase, não é difícil adivinhar que só algo muito importante, algo que conta, que mexe comigo, podia interferir com esse mesmo estado. Não é fácil deitar-me abaixo, entristecer-me, suscitar dúvidas onde não as havia. Nada fácil.
Mas acontece. Sou humano, tenho todas as características como tal e não posso fugir a elas. Quando tocas ao de leve nos corninhos do caracol, eles não demoram a voltar rapidamente para cima. Agora quando ages com mais agressividade, não voltas a vê-los tão cedo.
Mas é aqui que se dá a…

Apanhei-te, 2017

Nem para balanços tive tempo, é uma vergonha. 2016 passou por mim como um intercidades sem paragem que faz tremer a estação. Não me deu espaço para muitas manobras nesta reta final, tal era o trânsito rumo ao futuro.
A verdade é que 2017 está aí e ocupou o espaço deixado vago pelo seu antecessor de forma certeira e precisa. De facto só passaram dois dias e portanto não há grandes novidades, mas também não era isso que esperava do novo ano, até porque as melhores novidades são aquelas que surgem sem estarmos à espera. Certo?
E em 2016 houve-as, a vários níveis. Por aqui souberam-se algumas, de forma mais ou menos direta. Houve-as no plano pessoal, com descobertas e redescobertas de laços; houve ainda uma mudança de casa cheia de peripécias, as quais – tenho de dizer – acabei por adorar; por fim, alguns encontros habituais passaram a ser reencontros esporádicos, mas cheios da mesma magia de sempre.
Profissionalmente também houve novidades. Pontos mais altos, em que dei comigo a trabal…

Trump e os Estados Divididos da América

O mundo olha com atenção para o que se passa nos Estados Unidos. Ou melhor, nuns surpreendentes Estados Divididos da América, nos quais a possibilidade de um pesadelo ao nível do melhor terror de Hollywood é assustadoramente real. É que Trump está mesmo na luta.
Há meses que o anunciava. Disse sempre, por entre ameaças à sociedade, que ia vencer as eleições. Contudo, ninguém acreditou que pudesse sequer discutir com o estatuto de Hillary. Quer porque a ex-primeira dama gozava de grande popularidade, quer porque o mundo ria-se de um ricaço que se apresentava às eleições de forma exuberante.
Aliás, Madonna disse ontem que o mundo continua a rir-se dos EUA. E é verdade, por duas razões. A primeira porque a missão de um palhaço no circo é fazer rir as pessoas. Trump assumiu a postura do
palhaço das eleições norte-americanas, usa o espalhafato, o ar bonacheirão e o lustre do cabelo para arrastar multidões. O problema é o segundo motivo pelo qual o mundo se ri de Trump. É que uma das rea…