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Mensagens

É aqui que se dá a magia

Costumava pensar que o facto de raramente me chatear com alguém resultava da forma como levo a vida, da minha personalidade e da calma e relatividade com que brindo os maus momentos. Bem, isto não deixa de ser verdade. Mas também não é mentira nenhuma que uma das melhores formas de nos conhecermos é através dos outros. É através deles que nos refletimos, que realçamos o que temos e o que somos de bem ou de mal.
Ora se eu pauto por toda aquela calma e paz que escrevi na primeira frase, não é difícil adivinhar que só algo muito importante, algo que conta, que mexe comigo, podia interferir com esse mesmo estado. Não é fácil deitar-me abaixo, entristecer-me, suscitar dúvidas onde não as havia. Nada fácil.
Mas acontece. Sou humano, tenho todas as características como tal e não posso fugir a elas. Quando tocas ao de leve nos corninhos do caracol, eles não demoram a voltar rapidamente para cima. Agora quando ages com mais agressividade, não voltas a vê-los tão cedo.
Mas é aqui que se dá a…

Apanhei-te, 2017

Nem para balanços tive tempo, é uma vergonha. 2016 passou por mim como um intercidades sem paragem que faz tremer a estação. Não me deu espaço para muitas manobras nesta reta final, tal era o trânsito rumo ao futuro.
A verdade é que 2017 está aí e ocupou o espaço deixado vago pelo seu antecessor de forma certeira e precisa. De facto só passaram dois dias e portanto não há grandes novidades, mas também não era isso que esperava do novo ano, até porque as melhores novidades são aquelas que surgem sem estarmos à espera. Certo?
E em 2016 houve-as, a vários níveis. Por aqui souberam-se algumas, de forma mais ou menos direta. Houve-as no plano pessoal, com descobertas e redescobertas de laços; houve ainda uma mudança de casa cheia de peripécias, as quais – tenho de dizer – acabei por adorar; por fim, alguns encontros habituais passaram a ser reencontros esporádicos, mas cheios da mesma magia de sempre.
Profissionalmente também houve novidades. Pontos mais altos, em que dei comigo a trabal…

Trump e os Estados Divididos da América

O mundo olha com atenção para o que se passa nos Estados Unidos. Ou melhor, nuns surpreendentes Estados Divididos da América, nos quais a possibilidade de um pesadelo ao nível do melhor terror de Hollywood é assustadoramente real. É que Trump está mesmo na luta.
Há meses que o anunciava. Disse sempre, por entre ameaças à sociedade, que ia vencer as eleições. Contudo, ninguém acreditou que pudesse sequer discutir com o estatuto de Hillary. Quer porque a ex-primeira dama gozava de grande popularidade, quer porque o mundo ria-se de um ricaço que se apresentava às eleições de forma exuberante.
Aliás, Madonna disse ontem que o mundo continua a rir-se dos EUA. E é verdade, por duas razões. A primeira porque a missão de um palhaço no circo é fazer rir as pessoas. Trump assumiu a postura do
palhaço das eleições norte-americanas, usa o espalhafato, o ar bonacheirão e o lustre do cabelo para arrastar multidões. O problema é o segundo motivo pelo qual o mundo se ri de Trump. É que uma das rea…

As primeiras chuvas

Todos os anos é a mesma coisa. O mundo parece esquecer-se durante os meses mais quentes de como é viver com chuva. E assim que cai a primeira, escorregamos, caímos e mergulhamos em poças de fantasmas passados, tão cinzentos quanto este tempo. Aí estão elas de novo, as primeiras chuvas.
Apanham-nos desprevenidos. Saímos de casa de manga curta, de sapatilhas prontas a roer o asfalto, mas afinal apenas encontramos água a cair do céu, que teima infiltrar-se no nosso corpo e corroer as nossas memórias. A água fria não nos traz as melhores recordações e procuramos rapidamente um acoito onde nos possamos defender.
É que até o mais forte dos ferros se deixa moldar pela água. Basta tempo. É por isso que procuramos apoio. O de um guarda-chuva, o de um casaco, o de um abraço. Qualquer coisa que nos fale do sol que vivemos e que nos garanta que ele vai regressar mais depressa do que pensamos. Alguém que troce dos senhores da meteorologia, que diga que eles não percebem nada disto e que os alertas…

Sonhamos

Raras são as vezes em que o dia-a-dia nos corre tão bem como aquele final do filme das nossas vidas. Os bons não ganham todas as batalhas, nem sempre conseguimos agarrar a mão de quem cai no precipício, ninguém acerta sempre nas escolhas que faz. Mas nada disso nos tira um direito que é nosso, que assiste a qualquer um, que ninguém tem o poder de tirar a outrem: sonhamos.
Inicialmente sonhamos com monstros. Temos medo que eles estejam debaixo da cama, que saiam do nosso roupeiro de noite e que a luz de presença que os papás deixaram acesa não seja suficiente para os afugentar. Mas, afinal, quem os leva para longe é a idade. Os anos passam, os papões fogem. Ou, pelo menos, mudam de forma.
Traçamos sonhos na adolescência. Muitos, mais do que podemos processar. E por isso não calculamos muitos, não percebemos alguns, não atingimos nenhuns. Mas essa é a fase própria para isso, para fazer dos rascunhos vigas de metal sobre as quais assentamos o que pensamos ser uma vida eterna de folia, …