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Mensagens

Apanhei-te, 2017

Nem para balanços tive tempo, é uma vergonha. 2016 passou por mim como um intercidades sem paragem que faz tremer a estação. Não me deu espaço para muitas manobras nesta reta final, tal era o trânsito rumo ao futuro.
A verdade é que 2017 está aí e ocupou o espaço deixado vago pelo seu antecessor de forma certeira e precisa. De facto só passaram dois dias e portanto não há grandes novidades, mas também não era isso que esperava do novo ano, até porque as melhores novidades são aquelas que surgem sem estarmos à espera. Certo?
E em 2016 houve-as, a vários níveis. Por aqui souberam-se algumas, de forma mais ou menos direta. Houve-as no plano pessoal, com descobertas e redescobertas de laços; houve ainda uma mudança de casa cheia de peripécias, as quais – tenho de dizer – acabei por adorar; por fim, alguns encontros habituais passaram a ser reencontros esporádicos, mas cheios da mesma magia de sempre.
Profissionalmente também houve novidades. Pontos mais altos, em que dei comigo a trabal…

Trump e os Estados Divididos da América

O mundo olha com atenção para o que se passa nos Estados Unidos. Ou melhor, nuns surpreendentes Estados Divididos da América, nos quais a possibilidade de um pesadelo ao nível do melhor terror de Hollywood é assustadoramente real. É que Trump está mesmo na luta.
Há meses que o anunciava. Disse sempre, por entre ameaças à sociedade, que ia vencer as eleições. Contudo, ninguém acreditou que pudesse sequer discutir com o estatuto de Hillary. Quer porque a ex-primeira dama gozava de grande popularidade, quer porque o mundo ria-se de um ricaço que se apresentava às eleições de forma exuberante.
Aliás, Madonna disse ontem que o mundo continua a rir-se dos EUA. E é verdade, por duas razões. A primeira porque a missão de um palhaço no circo é fazer rir as pessoas. Trump assumiu a postura do
palhaço das eleições norte-americanas, usa o espalhafato, o ar bonacheirão e o lustre do cabelo para arrastar multidões. O problema é o segundo motivo pelo qual o mundo se ri de Trump. É que uma das rea…

As primeiras chuvas

Todos os anos é a mesma coisa. O mundo parece esquecer-se durante os meses mais quentes de como é viver com chuva. E assim que cai a primeira, escorregamos, caímos e mergulhamos em poças de fantasmas passados, tão cinzentos quanto este tempo. Aí estão elas de novo, as primeiras chuvas.
Apanham-nos desprevenidos. Saímos de casa de manga curta, de sapatilhas prontas a roer o asfalto, mas afinal apenas encontramos água a cair do céu, que teima infiltrar-se no nosso corpo e corroer as nossas memórias. A água fria não nos traz as melhores recordações e procuramos rapidamente um acoito onde nos possamos defender.
É que até o mais forte dos ferros se deixa moldar pela água. Basta tempo. É por isso que procuramos apoio. O de um guarda-chuva, o de um casaco, o de um abraço. Qualquer coisa que nos fale do sol que vivemos e que nos garanta que ele vai regressar mais depressa do que pensamos. Alguém que troce dos senhores da meteorologia, que diga que eles não percebem nada disto e que os alertas…

Sonhamos

Raras são as vezes em que o dia-a-dia nos corre tão bem como aquele final do filme das nossas vidas. Os bons não ganham todas as batalhas, nem sempre conseguimos agarrar a mão de quem cai no precipício, ninguém acerta sempre nas escolhas que faz. Mas nada disso nos tira um direito que é nosso, que assiste a qualquer um, que ninguém tem o poder de tirar a outrem: sonhamos.
Inicialmente sonhamos com monstros. Temos medo que eles estejam debaixo da cama, que saiam do nosso roupeiro de noite e que a luz de presença que os papás deixaram acesa não seja suficiente para os afugentar. Mas, afinal, quem os leva para longe é a idade. Os anos passam, os papões fogem. Ou, pelo menos, mudam de forma.
Traçamos sonhos na adolescência. Muitos, mais do que podemos processar. E por isso não calculamos muitos, não percebemos alguns, não atingimos nenhuns. Mas essa é a fase própria para isso, para fazer dos rascunhos vigas de metal sobre as quais assentamos o que pensamos ser uma vida eterna de folia, …

Não esqueço

Nem um ponto, nem uma vírgula. Eles, que até costumam andar juntos, não esquecemos nenhum dos dois. Nem nada do que está no meio. Há dias em que voltamos atrás na frase, em que nos apetece pegar numa borracha e reescrever a história. Sabemos bem que é impossível, que escrevemos tudo a caneta e que a única coisa a fazer é guardar o que resta do nosso livro: memórias.
Por mais quilómetros que andemos, lá atrás fica sempre o mesmo ponto de partida. Podemos nunca mais lá voltar – é, aliás, o mais provável – mas ninguém apaga os nossos pontos do mapa. Não há como dissolver o que não é solúvel.
A vida continua e ganha formas de todas as cores. Ganha uma forma colorida de nos fazer olhar para trás e espreitar a curva que já rasgámos. Nada vemos do outro lado, mas sentimos o vento que vem de lá: já nos passou pela face, já nos alegrou com boas tempestades, já foi de bonança para o império que governámos a dois.
Não queremos voltar. Mas o facto de caminharmos em direção ao futuro não impede q…