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Mensagens

Tudo a nu e fé no eleitorado

Em tempo de eleições são poucos os debates que tenho visto, pelo menos em direto, por motivos profissionais. A box permite andar para trás mas as discussões sobre quem trouxe a troika são tão enfadonhas que, mesmo perante a sexy Ana Lourenço, acabo por desistir e entregar-me à minha cama de corpo e alma. Há, no entanto, um programa televisivo que me agarrou pela madrugada dentro e no qual os nossos políticos encaixavam tão bem como o corno de um toiro na nádega de um toureiro. Chama-se Aventura à Flor da Pele (Naked and Afraid no original), é transmitido no Discovery Channel e consiste num homem e numa mulher que são largados num destino inóspito, sem comida, água nem roupa, tendo de sobreviver durante 21 dias. Pelo que sei podem apenas levar numa bolsa um objeto escolhido por si. Ora, não vejo desafio mais propício aos cinco líderes dos chamados partidos do arco da governação.
A primeira dupla seria a mais óbvia: Passos e Portas. Ambos dormiriam agarradinhos um ao outro
como o faze…

Mudamos tudo

Mudamos tudo, já reparaste? Mudamos isto, mudamos aquilo. Mudamos tudo, como te disse. Já viste como mudamos todos os dias? Mudamos a maneira de falar, mudamos a forma de ver as coisas, mudamos o aspeto.
Se a alma dói ao mudar, mudamos a noção de dor. Mudamos o sorriso, mudamos o aperto de mão, mudamos o abraço. Sentiste? Mudamos os móveis de sítio para mudarmos o nosso pequeno mundo, mudamos de canal para ver o que queremos e não o que de facto existe. Mudamos o fundo do telemóvel porque aquele já não faz sentido, mudamos precisamente o sentido do que antes era inalterável mas que agora não resistimos a mudar. 
Mudamos de carro para os vizinhos verem, mudamos de casa porque estamos fartos deles, mudamos de copo porque este está rachado. E quando as coisas estão rachadas mudam-se, não é? Repara como mudamos o tom a cada dia, como mudamos as palavras que dirigimos um ao outro.
Mudamos de direção porque o vento sopra para ali, mudamos de médico porque este diz-nos que a dor faz parte,…

a gosto

De todas as coisas boas que o verão tem, a melhor talvez seja o tempo. E não se fala aqui de sol, mas de horas, minutos e segundos. As pessoas parecem ter mais tempo para aquilo que gostam e, quem gosta delas, agradece.

Para quem trabalha, as férias surgem como um oásis em pleno deserto. Muitas vezes nem é para descansar da atividade diária nem das pessoas com quem lidamos no trabalho. O mais importante, pelo menos para mim, é poder regressar por uma semana que seja aos tempos em que escolhíamos com quem passar as 24 horas do dia.
É por isso que estes são os dias mais rápidos do ano, todos os anos. Passam literalmente a correr, ainda que deixemos os relógios e telemóveis de lado e nos foquemos apenas nas risadas à beira-mar. Parece sempre que chegamos ao último dia sem que tenhamos desfeito completamente a mala que trouxemos.

Na verdade, pouco me interessa se os poucos dias de férias são passados numa praia do sul ou numa montanha do norte. Sei que toda a gente diz que a companhia é …

Combinações

Levo esta. Penso que já tenho a camisa finalmente escolhida, mas volto atrás e troco novamente. Falta pouco para sair de casa. Olho uma última vez para o sofá e já te imagino ali, comigo.

Sou o último a chegar e vejo um lugar ao teu lado, mas aprendi que devemos sempre desconfiar dos melhores lugares e acabo por me sentar praticamente na outra ponta da mesa. És um dos meus alvos no “olá” coletivo, evitando beijos a tudo e todos. A conversa flui, os olhares passam aqui e ali, e o relógio não para. O assunto vai desde a Grécia ao Benfica, desde a praia de ontem ao jantar da próxima quinta. Temos amigos inteligentes, é certo, mas nós estamos numa frequência diferente. Cada coisa que lançamos para a mesa em forma de palavras tanto pode ler-se da esquerda para a direita como da direita para a esquerda. Fazes malabarismos com o copo e eu respondo-te com um toque subtil quando passo por ti para ir à casa de banho.
É uma dança e aqui não há uma estrela e um aprendiz. Há dois executantes perf…

Olhos de ver

Assim é difícil. Sei que as aparências iludem, faz parte daqueles chavões que aprendemos à força nesta vida. Mas porra, não deviam ser os nossos olhos os maiores confidentes do mundo?

Só queria a verdade. Ver as coisas como elas realmente são. Até as redes sociais, com fotografias ao pontapé de tudo o que mexe, começam finalmente a render-se à realidade onde o “sem filtro” traz de volta a beleza perdida.
A verdade é que te vejo de forma distorcida. Sei disso, mas não consigo evitá-lo. Tenho uma imagem tua mais turva do que um bebé que mal vê um metro à sua frente. Sei que não és esse paraíso todo, esse mundo ideal onde sinto que podia ficar centenas de anos. Sei que é mentira. Que os meus olhos me mentem com toda a lata. Mas estou tão apaixonado por eles – ou pelo que eles me mostram de ti – que caio repetidamente no erro de voltar, como quem é traído uma e outra vez mas perdoa sempre.
O amor é cego - é uma verdade. Mas tanto é fogo que arde sem se ver, como vemos algo ardente onde n…