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Uma questão de fé

Qual é, afinal, o poder da ? Que diferença faz acreditar muito ou pouco? Até que ponto querer é poder? Podia continuar por aí fora a fazer questões ao estilo Fátima Campos Ferreira e sugerir o tema à produção do Prós e Contras. Provavelmente até já houve um programa sobre isto e até deve ter dado uns vídeos giros para o Youtube.
Mas hoje é a minha vez de escrever sobre a fé. Convido os caríssimos leitores a responderem: são homens e mulheres de fé? Estão a ver, a resposta é mais difícil do que parece. Diz-me um dicionário que fé é a “adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro”. Aqui começam os problemas e vamos dissecá-los em três partes.

A adesão absoluta
Ter uma opinião fortificada e à prova de ventos, modas e outras visões tem tanto de admirável como de perigoso. Também eu sou teimoso naquilo que defendo mas reconheço que por vezes é preciso escutar. Uma posição ganha mais força quando reforçada pela análise das opiniões concordantes mas também das opositoras. Re…

A noite que era minha

Eu e a noite estamos zangados. Esta é a verdade. Nunca mais saímos juntos até fugirmos os dois do dia para a minha cama, até nos abraçarmos um ao outro à espera que ela acorde de novo e possamos ir dar mais uma volta pela cidade.
A noite deixou-me e eu não sei porquê. Sempre lhe fui fiel, sempre a respeitei e estive sempre lá quando ela chamou por mim. A noite e eu éramos um só, brilhávamos ao luar como uma tiara de diamantes. A noite merecia essa tiara e eu era a pessoa certa para lha dar.
Eu e a noite estamos de costas voltadas. Por mais que eu a chame, por mais que eu lhe bata à porta, enfrentando o frio e o vento – algo que nunca foi impedimento para nós - , ela não responde, ela não está lá. Ela não brilha mais como dantes, pelo menos para mim.
Acho que a noite tem outro. Primeiro não queria pensar que isso fosse possível. Achava que tínhamos sido feitos um para o outro, que era com ela que ia ficar para sempre e que o escuro era uma das nossas cores favoritas, uma das nossas cores…

O amor é como as latas de atum

Que ninguém tenha dúvidas: quando alguém vos perguntar o que é o amor, respondam prontamente: é como uma lata de atum. Deem uns segundos para que a pessoa respire e absorva todo um mundo de possibilidades que acabou de conhecer, antes de passarem às explicações.
No amor, tal como no atum, é antes de mais preciso ter lata. Não me venham com bifes de atum, com essas paixões de noites de verão que até podem saber muito bem com uma sangria fresca, mas que desaparecem em poucas horas.
Uma lata de atum é feita para durar. Nela cabe um bocadinho do vasto oceano, ali perfeitamente conservado com o passar dos anos. É isso que queremos para o amor. Que também ele mantenha as suas feições com o passar do tempo, que não tenha os chatos prazos de validade e que a frase se fique pelo ‘consumir de preferência’, só assim, simples, sem o ‘antes de’.

Podemos usar o atum e o amor de maneiras distintas, umas mais trabalhadas do que outras. Há dias em que nos apetece chegar a casa e arrancar um beijo à…

A orquestra do Titanic

Durante muitos anos, quando ainda era um potro, não percebi como raio os músicos do Titanic continuaram a tocar até aos últimos minutos de vida do famoso barco. Lembram-se certamente: o luxuoso navio tinha uma orquestra que tentava animar os passageiros ao ar livre, enquanto estes lutavam por um lugar num bote salva-vidas à medida que a embarcação se afundava nas águas gélidas do oceano Atlântico.

Ora, aqui o escriba tinha muita dificuldade em entender a razão que levava aqueles desgraçados a continuar violino na mão, em vez de salvarem a própria pele ou, pelo menos, esboçarem uma reação de pânico absoluto perante a tragédia que se estava a desenhar à sua frente.
Hoje sei por que o fizeram. Infelizmente, o que a orquestra do Titanic fez naquela fatídica noite é atualmente replicado um pouco por todo o lado. Por vezes, não nos resta alternativa que não seja continuar o que estamos a fazer, ainda que ao nosso lado tudo e todos se vão desmoronando. Não é fácil, garanto-vos. Até porque …

Tempo para amanhã

É naqueles dias em que o calor aperta que mais precisamos de ar fresco. Por mais bonito que esteja o quadro do horizonte com um sol radiante, a verdade é que toda aquela luz nos sufoca como se algo se enrolasse à nossa volta e apertasse.
Apertasse o nosso peito, apertasse tanto o nosso peito que teríamos os pulmões colados às costas e nos seria difícil respirar. Afinal, trata-se disso: respirar. Não há dinheiro que pague um ar fresco pela manhã. Não há balão suficiente no mundo onde caiba todo o ar que precisamos. Não há um espaço definido para os braços que abrimos em duas direções opostas.

É naqueles dias de calor que temos mais frio. É nesses momentos ofegantes que mais precisamos do abraço de alguém, que mais vivemos a distância, que mais sentimos a ausência. É aí que o tal calor passa a gelo e os raios de sol se transformam em neve pura e dura, vasta e imensa.
É nesses dias cerrados que colocamos no ar aquela música que nos leva longe, que nos faz baixar a cabeça entre os ombr…

Ter medo da tristeza

Vem nos livros que temos de ser alegres, que a tristeza é uma coisa má, dos infernos, que devemos fugir dela como quem corre para um abrigo em dia de tempestade. Pois bem, a sugestão do dia: também faz bem apanhar chuva de vez em quando.
É isso mesmo. Contrariem tudo o que vos foi dito. Quem teima em não sentir – ou em acreditar que não sente – a tristeza, vive num mundo de ilusão, o que acaba, em si mesmo, por ser bem mais triste. Como seres racionais, temos o direito e, por que não, o dever de experimentar boas e más sensações.
Se querem fugir, fujam antes daqueles que nos dizem que vai ficar tudo bem. Mentem-nos, como as enfermeiras mentem aos miúdos ao dizer que a vacina não dói. A tristeza, como as vacinas, dói, é um facto. Mas se não nos deixarmos picar, como saberemos do que nos estamos a curar quando procuramos sorrisos, afetos e laços?
A verdade é esta: por vezes é preciso estar triste. Não falo de andar por aí a cair aos bocados, lavado em lágrimas e envolto em gritos de de…

A mesma Lua

Não mintam mais: este mundo não é pequeno, nem nada que se pareça. Este mundo é gigante, maior do que devia ser, tão vasto que é fácil perdermos nele aquilo ou aqueles que queríamos ter sempre connosco.
Não há bússola que nos valha na imensidão deste planeta, não há GPS que nos ajude a encurtar os quilómetros que nos apertam o coração. Muitas vezes não podemos dar a mão direita sem largar da esquerda algo que agarrávamos faz tempo. E isso traz-nos escolhas, escolhas difíceis de fazer que nos fazem sentir perdidos no tal mundo que, juravam-nos a pés juntos, era pequeno.
Sim, é inevitável perdermos objetos, pessoas e memórias através dos caminhos da vida. Contem com isso, não pensem que podem guardar tudo num bolso e depois recorrer a ele quando têm saudades, como quem puxa de um pacote de bolachas quando a fome aperta no ventre.
Posto isto, e depois desta sombra toda, é altura de olharmos para cima. Sim, para cima. É lá que está o elo, é lá que está o nosso telefone, o nosso Skype, o …

É aqui que se dá a magia

Costumava pensar que o facto de raramente me chatear com alguém resultava da forma como levo a vida, da minha personalidade e da calma e relatividade com que brindo os maus momentos. Bem, isto não deixa de ser verdade. Mas também não é mentira nenhuma que uma das melhores formas de nos conhecermos é através dos outros. É através deles que nos refletimos, que realçamos o que temos e o que somos de bem ou de mal.
Ora se eu pauto por toda aquela calma e paz que escrevi na primeira frase, não é difícil adivinhar que só algo muito importante, algo que conta, que mexe comigo, podia interferir com esse mesmo estado. Não é fácil deitar-me abaixo, entristecer-me, suscitar dúvidas onde não as havia. Nada fácil.
Mas acontece. Sou humano, tenho todas as características como tal e não posso fugir a elas. Quando tocas ao de leve nos corninhos do caracol, eles não demoram a voltar rapidamente para cima. Agora quando ages com mais agressividade, não voltas a vê-los tão cedo.
Mas é aqui que se dá a…

O amor quer-se bem passado

Andava eu a ouvir músicas ao acaso, nessas viagens loucas que o Youtube nos proporciona, quando ouvi a maior verdade do dia, se não mesmo do ano. O amor quer-se bem passado. É isto, sem tirar nem pôr, que no que está bem não se mexe.
De facto, o amor não se quer morno, não rima com semifrio e não nasce no gelado. O amor precisa de ser cozinhado, bem cozinhado, para matar todas as bactérias. É ardente e, portanto, tem de ser fervido. Ao lume, a vapor, no forno do coração.
No amor não há lugar a meio termo. Não há ninguém que, como o empregado da cervejaria, entenda que queremos o prego “médio”. O amor não pode ser cru. Um amor de sushi não flutua, um amor de tártaro acaba – acreditem – por ir ao fundo.
Não é difícil entender que um amor não pode ter sangue. Que a desculpa de que assim fica tenrinho, que não fica seco, que é mais saboroso, são tudo tretas de quem nunca cozinhou um amor a sério. De quem nunca temperou um amor com o sal das próprias lágrimas, de quem nunca o virou do ave…

Em ti

Estou deitado, de mãos entrelaçadas atrás da cabeça. Se alguma luz houvesse neste quarto, era possível ver os meus dentes, os meus olhos, enfim, a minha cara. Não há luz, não se reflete a luz. Mas reflete-se a felicidade. Estou feliz sim. E muito.
Vê-se nos meus dentes, nos meus olhos, enfim, na minha cara. Feliz pelo que sinto, e sei que sinto. Passa-me do coração à cabeça, e volta novamente. São voltas descontroladas pela velocidade da batida, pelo calor do sangue, pelo sorriso com que os dias me acenam por esta altura.
De facto, se houvesse luz, talvez conseguisse ver a minha própria imaginação, onde o aroma que tens dança ao meu redor, ora calma, ora desenfreadamente, para delírio das minhas mãos que teimam em abraçar-te mais e mais.
És tu. És tu mesma. A chave daquele cadeado que cerca as minhas emoções. Consegues libertá-las, consegues sê-las. E num ápice, passam em fila na minha mente fotos nossas, nas quais estamos incrivelmente juntos, colados, unidos, eu a ti e tu a mim. E …

1+1+1+1=

Pois é. O pequeno Digo-te é já um homenzinho! Parece que ainda foi ontem que deu os primeiros passos, disse as primeiras palavras e bolçava a cada palmadinha nas costas depois do biberão da manhã.
O raio do petiz completa hoje quatro primaveras, todas elas recheadas de alegrias e alergias aos pólenes das árvores. Nasceu há numa época em que Portugal não conhecia a palavra troika, e não seguia austeramente os passos de um coelho (porque Saviola só viria para o Benfica no ano seguinte).
Corria o dia 21 de maio de 2008 quando o Chelsea perdeu a final da Liga dos Campeões com o United, nas grande penalidades. Como os tempos mudam… E de repente, sem que nada o fizesse prever, nasce o pequeno Digo-te, precoce, com apenas 28 semanas, que por pouco não foi parar à incubadora. Do cordão umbilical sobrou apenas o hífen que separa o “Digo” do “te”, carinhosamente apelidado de “tracinho”.
O frágil Digo-te, amparado por seu pai, foi crescendo e vingando neste mundo de cobras, onde a cada canto esprei…

Querido Pai Natal

Sou o Luís. Deves lembrar-te de mim, estive contigo no Fórum no domingo passado.Escrevo-te porque já sei o que quero neste Natal. Por favor, dá-me… um inimigo!É isso mesmo que acabaste de ler! Ando à procura de uma pessoa que possa ser o meu inimigo de estimação. E desde logo tenho 1001 razões para o fazer! Toda a gente tem, e daí concluo que deve ser bom ter inimigos. Ter alguém a quem possa chamar uns valentes e ordinários nomes, tanto a ele como à sua querida mãe! Um inimigo está sempre presente! Quando algo me correr mal, quero ter um bode expiatório em quem depositar as culpas todas, tal como os madeirenses depositaram mais uma vez a sua confiança no Jardim! Repara: as pessoas sabem que ele as leva à ruína. Ponto assente. Mas na volta deram-lhe mais uma vitória nas urnas, quando tudo apontava para que lhe oferecessem precisamente uma urna!É disto que eu falo, estás a perceber? As pessoas sentem necessidade de ter um inimigo e eu não fujo à regra. Quero poder estar em casa sem nad…